Nada pode ser tão destrutivo para um ser humano como adquirir uma consciência leviana da sua importância para a humanidade. Quando um homem se proclama um gênio para si mesmo, não para os outros (palavras, palavras, apenas palavras), ele dá início inevitável a uma derrocada espiritual giganteca.
Vejo a cada dia meu amigo Páris se perder em auto-suficiência e quantidades expressivas de álcool. Não se esvai apenas seu dinheiro, mas sua razão escorre pelos goles intermináveis de cerveja. Não crio a imagem hipócrita de negar o sabor e prazer do álcool, mas há um tênue (porém representativo) limite entre o mero consumo e a dependência de uma droga que altera o estado de cosnciência de uma pessoa.
Vejo meu amigo se perder em sua própria amargura, encontrando a resposta mais fácil e mais terrena. Qual a genialidade disto? Um pintor que não mais pinta. Um poeta que não mais busca o sentimento profundo. Um rato que se contenta com o raso. Um ser humano diferenciado que busca avidamente ser igual, que não suporta o que é e o que pode ser.
E minha mãe tem razão. São os filhos dela capazes de enfrentar o óbvio com as críticas que constróem como seres pensadores que são. Então me afasto. Não há amizade que pague pela desistência de ser absoluto, verdadeiro e melhor.
Sunday, November 23, 2008
Tuesday, November 18, 2008
Um alvorecer
Acaba de surgir alto no céu o sol, decretando minha primeira real virada de noite européia. Não, não foi regada a álcool ou festas descabidas em um dia aleatório da semana, mas embasado no chato e velho estudo e compromissos acadêmicos que por alguma razão me motivam tanto.
Há um quê de diversão nesta vida de doutorando. Meu trabalho basicamente é o estudo e a geração initerrupta de idéias passíveis de mudar os rumos da humanidade. E isso de forma alguma me exige um compromisso com horários (exceto pelas minhas aulas que correspondem a 5% do meu tempo de dedicação efetiva). Assim, hoje decido dormir após as 8h da manhã para um despertar pós meio-dia seguido de mais estudo e ida para a universidade. Me parece uma vida bacana esta de morar na Espanha estando plenamente adaptado ao fuso horário da Califórnia. Whatever, nonsense.
Semana que vem tô indo pra Londres em uma data singela de folga incomum nas atividades estudantis e aproveitando os vôos baratos de companhias aéreas de qualidade duvidosa. Who cares? I'm going to bloody britain, lad!
Há um quê de diversão nesta vida de doutorando. Meu trabalho basicamente é o estudo e a geração initerrupta de idéias passíveis de mudar os rumos da humanidade. E isso de forma alguma me exige um compromisso com horários (exceto pelas minhas aulas que correspondem a 5% do meu tempo de dedicação efetiva). Assim, hoje decido dormir após as 8h da manhã para um despertar pós meio-dia seguido de mais estudo e ida para a universidade. Me parece uma vida bacana esta de morar na Espanha estando plenamente adaptado ao fuso horário da Califórnia. Whatever, nonsense.
Semana que vem tô indo pra Londres em uma data singela de folga incomum nas atividades estudantis e aproveitando os vôos baratos de companhias aéreas de qualidade duvidosa. Who cares? I'm going to bloody britain, lad!
Monday, November 17, 2008
Ser diferente é tão igual
Esperam que sejamos tantos e no final das contas nos tornamos nenhum
Apenas a sombra de um reflexo
Em um espelho que a gente não vê
O único
Vemos tudo
Vemos demais
Mas nesse exagero de personalidades
Nesta necessidade de ser todas as peças de um quebra-cabeça
Perdemos o muito que nos foi dado
Esquecemos o que mais merecia ser lembrado
Nos tornamos os vencedores de uma disputa inexistente
Enfim, nos divorciamos da nossa essência
Apenas a sombra de um reflexo
Em um espelho que a gente não vê
O único
Vemos tudo
Vemos demais
Mas nesse exagero de personalidades
Nesta necessidade de ser todas as peças de um quebra-cabeça
Perdemos o muito que nos foi dado
Esquecemos o que mais merecia ser lembrado
Nos tornamos os vencedores de uma disputa inexistente
Enfim, nos divorciamos da nossa essência
Saturday, November 15, 2008
Da série Poemas Fajutos
how can happiness be so sad?
how can yesterday be so far away?
how can tomorrow be so impossible?
but sadness can also be happy
and yesterday may be in our hearts
and the impossible can become the truth
Four seasons
and spring is the one i like the most
because it reminds me of rebirth
that nothing is lost, it may just be hidden somewhere
so search
with your heart
be irrational for it may make you human
be human for it may make you love
and love
with all your strength
with all you got
cause in the end
all you got
anyway
is love
how can yesterday be so far away?
how can tomorrow be so impossible?
but sadness can also be happy
and yesterday may be in our hearts
and the impossible can become the truth
Four seasons
and spring is the one i like the most
because it reminds me of rebirth
that nothing is lost, it may just be hidden somewhere
so search
with your heart
be irrational for it may make you human
be human for it may make you love
and love
with all your strength
with all you got
cause in the end
all you got
anyway
is love
Saturday, November 8, 2008
Um novo estado de espírito - uma retrospectiva da quinta semana
Esta é uma micro-história que começa pelo fim, porque assim me parece mais interessante.
SEXTA-FEIRA
Festa de lançamento da Record Espanha aqui na Casa do Brasil. TV de pobre é foda: cartazes colados na parede, caipirinha, guaraná, vinho barato e João Kléber (sim, ele estava aqui). Tomei uma caipirinha e me atraquei no guaraná, o que despertou surpresa em olhos alheios. Não estava em um estado de espírito de me embriagar o mínimo que fosse e apenas cuidei de me empanturrar com os quitutes de padaria oferecidos na mesa (me pareceu justo).
Aí vou pra fora com o intuito de degustar um cigarro e não mais. O Páris vem junto e mais o cara mais desagradável do mundo.
PARÊNTESES - O CARA MAIS DESAGRADÁVEL DO MUNDO
Deve ter uns 55 a 60 anos. Nenhum laço familiar e psicólogo de origem com mestrado em sei lá o quê e doutorado em sei lá das quantas tirado na Unisinos. Se sentindo diminuído por ter estudado em São Leopoldo argumenta que foi um doutorado de excelência criado pela instituição e que ele foi formalmente convidado a se juntar ao corpo docente (tá, negão, e daí?). Me pergunta como eu me sinto morando sozinho e eu digo que já faz algum tempo que eu moro praticamente sozinho e ele começa a me questionar se há um motivo para isso, buscando analisar minha relação com meus pais e família, acho. Eu deveria ter respondido que faço isso porque eu sou a única pessoa que eu considero suportável de se conviver, o que não seria verdade mas daria algo pra ele ocupar a cabeça. De qualquer forma, linhas demais para uma pessoa tão desimportante.
FIM DO PARÊNTESES - DE VOLTA A SEXTA-FEIRA
Ah, sim, mais cedo o Páris havia recebido uma mensagem da Gabriela dizendo que ela queria se encontrar com ele pela noite (a origem desta história remete a quarta e quinta-feiras). Buenas, ela chega e meio que arrasta ele para o quarto antes de qualquer movimento socialmente necessário e de lá só saem pelas 3 da manhã (ela chegou umas 10 e meia). Durante este interregno eu vejo uns idiotas (entre eles o cara mais desagradável do mundo) roubarem vinho escondido da festa da Record que já terminara e da qual os pertences estavam sendo realmente distribuídos (qual o sentido em esconder, então?), volto pro quarto e demoro 40 minutos pra mandar um e-mail pra biblioteca da UFRGS com a minha dissertação e desço novamente para o lobby, ainda que sem muita vontade, para interagir com a galerinha, manja?
Ao menos tava o André lá, que é um dos caras mais decentes de se conversar nesse país, apesar do palmeirismo do paulista. Ao menos ele tem gosto pela auto-depreciação apesar de sempre aparecer aqui com uma mina mais gostosa que a anterior. Aí chega um gênio duma morena escultural potiguar e me critica pra dizer que eu só abro a boca pra falar de mulher e que minha cabeça devia ser muito oca. Aí eu rebato com o clássico:
- Olha, baby, então me diz o que você pensa da conjuntura político-econômica internacional em face do crescente número de blocos continentais, considerando a questão da soberania das nações.
Olha, eu sei espantar uma gostosa como poucos antes já souberam. Anyway, ainda discuti com ela depois ao afirmar que, para mim, o Cazuza era um bostinha que só ficou marcado para a história de um país culturalmente subdesenvolvido porque foi uma figura pública que assumiu ser portador do vírus aquele. Ah pára, tchê, vem chamar o cara de "poeta contemporâneo".
Minha noite de sexta foi basicamente este lixo. Mas as noites anteriores, como irá de se ver, não foram muito melhores não.
QUINTA-FEIRA
Eu não tava nem um pouco a fim de sair e nem estou muito a fim de contar como que foi, então breve serei. O Páris queria porque queria ir no De Cine ver a Gabriela e usou o velho argumento de que era o dia de Barra Libre (chope liberado a 5 euros e que acabou nos saindo por 0 - como é bom ser amigo de quem manda). Fomos, o vazio bar de todos os dias estava abarrotado de espanhóis barulhentos, a música era ruim pela primeira vez em tal ambiente e conseguir um chope que fosse era quase uma questão de honra. O melhor que pôde ser feito foi o Páris ter feito um desenho da Gabi eter dado pra ela que ficou toda ui ui ui ai ai ai e esses monossílabos que são capazes de resumir praticamnte qualquer sentimento afetivo feminino (OPAH!).
Tá, o bar esvaziou e eu xinguei muito o cara com nome de capital de país europeu para que fôssemos embora ao que tive êxito depois de um tempo mais dilatado do que seria do meu gosto. Ainda tenho que aguentar todo o caminho de volta com aquele grego/brasileiro/francês/espanhol perguntando se a guria gostava dele. Eu queria acreditar em alguma peça ficcional e pedir a ela que me desse paciência. Maldito niilismo que me deixa sem nenhum alento.
QUARTA-FEIRA
Recebi minha carta de alforria universitária semanal com uma hora de antecedência, dado que o professor estava sofrendo de algum tipo de enfermidade e precisava dirigir-se ao médico. Saímos, então, Páris, Stéfano e eu. Fomos no De Cine (sempre) e estava vazio, ao que ficamos bebendo a cerveja mais barata do oeste europeu e conversando com a Gabriela, argentina que está substituindo a basca, que é bem gata e que tem um namorado também argentino e que trabalha de promoter (adoro palavras em inglês que fazem um argentino pé-de-chinelo parecer mais do que um otário que fica na rua chamando pessoas pro bar) e mora com ela. Mas ele não trabalhava naquela noite e num momento totalmente bizarro o Páris ASSUME que tem muito sex appeal. O que eu posso comentar disso? Comentar meu ataque histérico de risadas? Comentar que ele ficou puto por eu ter tido tal surto? Nah, vou comentar que a partir deste momento a argentina vagabunda começou a pegar na mão dele e olhar pra figura como se olhasse para o príncipe encantado que a iria retirar daquele esgoto imundo que era sua vida.
Buenas, ele chegou até a entrar dentro do balcão pra tentar agarrar ela, mas ele declinou justificando que haviam ali colegas do seu namorado. Esses idiotas argentinos ainda convidam nós 3 para uma festa ARGENTINA à qual eu não tinha o menor intento de ir, mas, ora, foda-se. Fomos e a Gabriela segue seu caminho não-festivo rumo à casa do namorado. Com muito tato e convencimento faço o idiota do Páris acreditar que era uma boa IR ATRÁS DELA. Nisso vamos eu, o Stéfano e mais dois argentinos de la concha sus madres pra PIOR FESTA QUE EU JÁ FUI NA MINHA VIDA e onde somos interpelados por um anão bêbado que nos achou tão legais que insistia em nos apresentar mulheres. O problema era que ele não conhecia nenhum e todas que ele se aproximava não só se afastavam como IAM EMBORA DA FESTA. Justo. Ainda discuto com um argentino no banheiro porque ele ficou magoado de eu ter em algum momento dito "argentinos de merda". Ainda me pergunto como ele entendeu se eu falei em português.....
No final das contas o Páris chega em casa meia hora depois de mim e ele tinha de fato pegado a argentina libidinosa. É sempre bom fuder com a vida de um porteño (no caso o namorado dela) mesmo que seja através de outros.
E essa foi minha quinta semana em Madrid, ou ao menos os fatos mais relevantes e passíveis de publicação. Uma merda, eu sei, vou começar a partir para a ficção e, assim, fazê-los crer que a minha vida é mais bacana do que realmente é.
SEXTA-FEIRA
Festa de lançamento da Record Espanha aqui na Casa do Brasil. TV de pobre é foda: cartazes colados na parede, caipirinha, guaraná, vinho barato e João Kléber (sim, ele estava aqui). Tomei uma caipirinha e me atraquei no guaraná, o que despertou surpresa em olhos alheios. Não estava em um estado de espírito de me embriagar o mínimo que fosse e apenas cuidei de me empanturrar com os quitutes de padaria oferecidos na mesa (me pareceu justo).
Aí vou pra fora com o intuito de degustar um cigarro e não mais. O Páris vem junto e mais o cara mais desagradável do mundo.
PARÊNTESES - O CARA MAIS DESAGRADÁVEL DO MUNDO
Deve ter uns 55 a 60 anos. Nenhum laço familiar e psicólogo de origem com mestrado em sei lá o quê e doutorado em sei lá das quantas tirado na Unisinos. Se sentindo diminuído por ter estudado em São Leopoldo argumenta que foi um doutorado de excelência criado pela instituição e que ele foi formalmente convidado a se juntar ao corpo docente (tá, negão, e daí?). Me pergunta como eu me sinto morando sozinho e eu digo que já faz algum tempo que eu moro praticamente sozinho e ele começa a me questionar se há um motivo para isso, buscando analisar minha relação com meus pais e família, acho. Eu deveria ter respondido que faço isso porque eu sou a única pessoa que eu considero suportável de se conviver, o que não seria verdade mas daria algo pra ele ocupar a cabeça. De qualquer forma, linhas demais para uma pessoa tão desimportante.
FIM DO PARÊNTESES - DE VOLTA A SEXTA-FEIRA
Ah, sim, mais cedo o Páris havia recebido uma mensagem da Gabriela dizendo que ela queria se encontrar com ele pela noite (a origem desta história remete a quarta e quinta-feiras). Buenas, ela chega e meio que arrasta ele para o quarto antes de qualquer movimento socialmente necessário e de lá só saem pelas 3 da manhã (ela chegou umas 10 e meia). Durante este interregno eu vejo uns idiotas (entre eles o cara mais desagradável do mundo) roubarem vinho escondido da festa da Record que já terminara e da qual os pertences estavam sendo realmente distribuídos (qual o sentido em esconder, então?), volto pro quarto e demoro 40 minutos pra mandar um e-mail pra biblioteca da UFRGS com a minha dissertação e desço novamente para o lobby, ainda que sem muita vontade, para interagir com a galerinha, manja?
Ao menos tava o André lá, que é um dos caras mais decentes de se conversar nesse país, apesar do palmeirismo do paulista. Ao menos ele tem gosto pela auto-depreciação apesar de sempre aparecer aqui com uma mina mais gostosa que a anterior. Aí chega um gênio duma morena escultural potiguar e me critica pra dizer que eu só abro a boca pra falar de mulher e que minha cabeça devia ser muito oca. Aí eu rebato com o clássico:
- Olha, baby, então me diz o que você pensa da conjuntura político-econômica internacional em face do crescente número de blocos continentais, considerando a questão da soberania das nações.
Olha, eu sei espantar uma gostosa como poucos antes já souberam. Anyway, ainda discuti com ela depois ao afirmar que, para mim, o Cazuza era um bostinha que só ficou marcado para a história de um país culturalmente subdesenvolvido porque foi uma figura pública que assumiu ser portador do vírus aquele. Ah pára, tchê, vem chamar o cara de "poeta contemporâneo".
Minha noite de sexta foi basicamente este lixo. Mas as noites anteriores, como irá de se ver, não foram muito melhores não.
QUINTA-FEIRA
Eu não tava nem um pouco a fim de sair e nem estou muito a fim de contar como que foi, então breve serei. O Páris queria porque queria ir no De Cine ver a Gabriela e usou o velho argumento de que era o dia de Barra Libre (chope liberado a 5 euros e que acabou nos saindo por 0 - como é bom ser amigo de quem manda). Fomos, o vazio bar de todos os dias estava abarrotado de espanhóis barulhentos, a música era ruim pela primeira vez em tal ambiente e conseguir um chope que fosse era quase uma questão de honra. O melhor que pôde ser feito foi o Páris ter feito um desenho da Gabi eter dado pra ela que ficou toda ui ui ui ai ai ai e esses monossílabos que são capazes de resumir praticamnte qualquer sentimento afetivo feminino (OPAH!).
Tá, o bar esvaziou e eu xinguei muito o cara com nome de capital de país europeu para que fôssemos embora ao que tive êxito depois de um tempo mais dilatado do que seria do meu gosto. Ainda tenho que aguentar todo o caminho de volta com aquele grego/brasileiro/francês/espanhol perguntando se a guria gostava dele. Eu queria acreditar em alguma peça ficcional e pedir a ela que me desse paciência. Maldito niilismo que me deixa sem nenhum alento.
QUARTA-FEIRA
Recebi minha carta de alforria universitária semanal com uma hora de antecedência, dado que o professor estava sofrendo de algum tipo de enfermidade e precisava dirigir-se ao médico. Saímos, então, Páris, Stéfano e eu. Fomos no De Cine (sempre) e estava vazio, ao que ficamos bebendo a cerveja mais barata do oeste europeu e conversando com a Gabriela, argentina que está substituindo a basca, que é bem gata e que tem um namorado também argentino e que trabalha de promoter (adoro palavras em inglês que fazem um argentino pé-de-chinelo parecer mais do que um otário que fica na rua chamando pessoas pro bar) e mora com ela. Mas ele não trabalhava naquela noite e num momento totalmente bizarro o Páris ASSUME que tem muito sex appeal. O que eu posso comentar disso? Comentar meu ataque histérico de risadas? Comentar que ele ficou puto por eu ter tido tal surto? Nah, vou comentar que a partir deste momento a argentina vagabunda começou a pegar na mão dele e olhar pra figura como se olhasse para o príncipe encantado que a iria retirar daquele esgoto imundo que era sua vida.
Buenas, ele chegou até a entrar dentro do balcão pra tentar agarrar ela, mas ele declinou justificando que haviam ali colegas do seu namorado. Esses idiotas argentinos ainda convidam nós 3 para uma festa ARGENTINA à qual eu não tinha o menor intento de ir, mas, ora, foda-se. Fomos e a Gabriela segue seu caminho não-festivo rumo à casa do namorado. Com muito tato e convencimento faço o idiota do Páris acreditar que era uma boa IR ATRÁS DELA. Nisso vamos eu, o Stéfano e mais dois argentinos de la concha sus madres pra PIOR FESTA QUE EU JÁ FUI NA MINHA VIDA e onde somos interpelados por um anão bêbado que nos achou tão legais que insistia em nos apresentar mulheres. O problema era que ele não conhecia nenhum e todas que ele se aproximava não só se afastavam como IAM EMBORA DA FESTA. Justo. Ainda discuto com um argentino no banheiro porque ele ficou magoado de eu ter em algum momento dito "argentinos de merda". Ainda me pergunto como ele entendeu se eu falei em português.....
No final das contas o Páris chega em casa meia hora depois de mim e ele tinha de fato pegado a argentina libidinosa. É sempre bom fuder com a vida de um porteño (no caso o namorado dela) mesmo que seja através de outros.
E essa foi minha quinta semana em Madrid, ou ao menos os fatos mais relevantes e passíveis de publicação. Uma merda, eu sei, vou começar a partir para a ficção e, assim, fazê-los crer que a minha vida é mais bacana do que realmente é.
Tuesday, November 4, 2008
O espelho
Cá estou no trem que me leva de Madrid à universidade em Cantoblanco. À minha frente um pai e sua filha com síndrome de down. Olho para ela e vejo toda a essência que me falta, que me foi perdida. A pureza regida pela mente incapaz de se auto-torturar constantemente. Poderia sentir o mesmo pelos ignorantes ou preguiçosos cerebrais em geral, mas por estes o que me desperta é o mero desprezo. E na debilidade desta menina vejo minha alma refletida ao avesso.
Sunday, November 2, 2008
La Tortuga
Eu não vou fornecer nenhum contexto pro que se passa, fazendo parecer apenas uma psicodelia total.
Cenário: Táxi, Paseo do Prado e encaminhamento para Moncloa.
Personagens:
Páris: Bêbado
Taxista: Assustado
Bruno: Rindo e sem nenhuma outra contribuição em especial.
Páris: Sabes (dirigindo-se ao taxista), tengo un amigo brasileño que es muy raro. Me lo crees que tiene una tortuga marina viviendo en su habitación?
Bruno: Muahahahahahahaha
Taxista: ?(arquejar de sobrancelhas)
Páris: Si, una tortuga gigante de dos toneladas. Es del tamaño de este coche. Y crees que mi amigo hasta la he comprado unas gafas y la llama su novia?
Taxista: Del tamaño del coche?
Páris: Si, y ella vino con él por avión.
Taxista: Pero la legislación para animales extranjeros está muy rígida, hombre.
Páris: Lo sé, lo sé.
Bruno. BUAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.
Taxista: Cá estamos en Moncloa.
Páris: Vale, vale. Buenas noches.
Bruno: Hijo de puta que me va hacerlo pagar, po!
Cenário: Táxi, Paseo do Prado e encaminhamento para Moncloa.
Personagens:
Páris: Bêbado
Taxista: Assustado
Bruno: Rindo e sem nenhuma outra contribuição em especial.
Páris: Sabes (dirigindo-se ao taxista), tengo un amigo brasileño que es muy raro. Me lo crees que tiene una tortuga marina viviendo en su habitación?
Bruno: Muahahahahahahaha
Taxista: ?(arquejar de sobrancelhas)
Páris: Si, una tortuga gigante de dos toneladas. Es del tamaño de este coche. Y crees que mi amigo hasta la he comprado unas gafas y la llama su novia?
Taxista: Del tamaño del coche?
Páris: Si, y ella vino con él por avión.
Taxista: Pero la legislación para animales extranjeros está muy rígida, hombre.
Páris: Lo sé, lo sé.
Bruno. BUAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.
Taxista: Cá estamos en Moncloa.
Páris: Vale, vale. Buenas noches.
Bruno: Hijo de puta que me va hacerlo pagar, po!
Saturday, October 25, 2008
A falência total de uma esperança
Eu não anseio pelo amor. Eu já nem sei o que ele é ou se ele existe. O que eu sei é que eu tenho uma jaqueta muito bacana e um total descompromisso com o meu futuro emocional. Não que isso seja alentador de alguma forma, mas me dá uma falta de perspectivas que de uma infinita série de formas me agrada bastante.
Talvez as pessoas levem a paixão a sério demais e não entendam este sentimento apenas como uma forma de atração instantânea e desejo premente de realizar o tal de ato sexual do qual tanto sinto falta.
Existem paixões e paixões. Minha paixão pela Esti (a garçonete lésbica lá), por exemplo, nada tem de sério ou de interesse mais profundo do que uma aventura amorosa de curta duração. É claro que nem ela e nenhuma outra mulher seria capaz de partir meu coração nowadays, simplesmente porque já foi tudo destroçado e não há mais algo que sobreviva para ser morto.
Mas eu estou bem, estou numa boa como há muito tempo não me sentia. Eu vejo uma névoa no meu horizonte e isso volta a me agradar como há muito tempo não me agradava. Mas tudo bem, foda-se, vamos aos fatos:
Na noite de ontem fui ao De Cine, bar que a guria essa trabalha. Fui porque tinha um crédito lá e cerveja "grátis" nunca vai me parecer uma opção descartável. A Esti me tratou como uma guriazinha atende o homem pela qual está apaixonada. Pediu que eu ligasse pra ela, me mostrou a língua diversas vezes e, por fim, me convidou para ir ao cinema na segunda. Ok, Fast Forward aí e pulamos para a noite do dia seguinte, o famoso agora há pouco. Ninguém queria sair nesta Casa do Car....digo, Brasil e o Páris, parceiro de qualquer evento tinha desaparecido como é o seu usual. Acabei depois da meia-noite convencendo meus amigos paraibanos de que uma cerveja em algum boteco poderia definitivamente salvar nossas almas da danação eterna. Andanças pelo bairro e acabamos voltando àqueles lugares outrora descritos como antros do rock and roll, da sujeira e dos maus costumes. No segundo bar que entramos, quem eu avisto à primeira instância? Sim, Esti e seus belos olhos de seja lá qual cor eles sejam. Vejo em seu rosto a surpresa e o sorriso da alegria que cabia a mim e que disfarcei com a baforada de um cigarro péssimo que havia comprado antes. Me dirijo a ela e aos seus 1,60m e encontro aquele sorriso gostoso e harmonioso que já havia me encantado, bem como a algumas mulheres por aí. Tento o beijo ao que sou bloqueado pelos dizeres "mi ex-novio está acá y no quiero hacer esto con él" e eu pergunto "che, díme, quien soy yo?" ela "tu eres el chico que me gusta".
Bah, né, fiquei todo faceiro e coisa e tal. Fiquei todo contente e de repente vejo um cara conversando com ela e tirando a camisa (eu nem uso caps lock mais porque nada me surpreende). De repente ele começa a colocar a camisa de volta, mas não era uma camisa, era a blusa DELA. DELA. DELA. Sim, e ela saiu com a camisa dele. Ao menos ele não beijou ela e nem nada similar, mas a troca de roupas foi bizarra. BIZARRA, eu disse. Em que país eu fui parar? Cadê o Pyw numa hora dessas? Até quando ficarei sem sexo? Por que as batatas fritas aqui são tão boas?
Perguntas e mais perguntas, até quando elas ecoarão pelos corredores da minha mente?
Talvez as pessoas levem a paixão a sério demais e não entendam este sentimento apenas como uma forma de atração instantânea e desejo premente de realizar o tal de ato sexual do qual tanto sinto falta.
Existem paixões e paixões. Minha paixão pela Esti (a garçonete lésbica lá), por exemplo, nada tem de sério ou de interesse mais profundo do que uma aventura amorosa de curta duração. É claro que nem ela e nenhuma outra mulher seria capaz de partir meu coração nowadays, simplesmente porque já foi tudo destroçado e não há mais algo que sobreviva para ser morto.
Mas eu estou bem, estou numa boa como há muito tempo não me sentia. Eu vejo uma névoa no meu horizonte e isso volta a me agradar como há muito tempo não me agradava. Mas tudo bem, foda-se, vamos aos fatos:
Na noite de ontem fui ao De Cine, bar que a guria essa trabalha. Fui porque tinha um crédito lá e cerveja "grátis" nunca vai me parecer uma opção descartável. A Esti me tratou como uma guriazinha atende o homem pela qual está apaixonada. Pediu que eu ligasse pra ela, me mostrou a língua diversas vezes e, por fim, me convidou para ir ao cinema na segunda. Ok, Fast Forward aí e pulamos para a noite do dia seguinte, o famoso agora há pouco. Ninguém queria sair nesta Casa do Car....digo, Brasil e o Páris, parceiro de qualquer evento tinha desaparecido como é o seu usual. Acabei depois da meia-noite convencendo meus amigos paraibanos de que uma cerveja em algum boteco poderia definitivamente salvar nossas almas da danação eterna. Andanças pelo bairro e acabamos voltando àqueles lugares outrora descritos como antros do rock and roll, da sujeira e dos maus costumes. No segundo bar que entramos, quem eu avisto à primeira instância? Sim, Esti e seus belos olhos de seja lá qual cor eles sejam. Vejo em seu rosto a surpresa e o sorriso da alegria que cabia a mim e que disfarcei com a baforada de um cigarro péssimo que havia comprado antes. Me dirijo a ela e aos seus 1,60m e encontro aquele sorriso gostoso e harmonioso que já havia me encantado, bem como a algumas mulheres por aí. Tento o beijo ao que sou bloqueado pelos dizeres "mi ex-novio está acá y no quiero hacer esto con él" e eu pergunto "che, díme, quien soy yo?" ela "tu eres el chico que me gusta".
Bah, né, fiquei todo faceiro e coisa e tal. Fiquei todo contente e de repente vejo um cara conversando com ela e tirando a camisa (eu nem uso caps lock mais porque nada me surpreende). De repente ele começa a colocar a camisa de volta, mas não era uma camisa, era a blusa DELA. DELA. DELA. Sim, e ela saiu com a camisa dele. Ao menos ele não beijou ela e nem nada similar, mas a troca de roupas foi bizarra. BIZARRA, eu disse. Em que país eu fui parar? Cadê o Pyw numa hora dessas? Até quando ficarei sem sexo? Por que as batatas fritas aqui são tão boas?
Perguntas e mais perguntas, até quando elas ecoarão pelos corredores da minha mente?
Tuesday, October 21, 2008
NUNCA se apaixone por uma basca (ou O conto da garçonete metaleira)
Então, assim, a garçonete basca da costanilla de los desamparados. Me apaixonei, muito linda, belo gosto musical e uma ternura suprema. Assim, claro, PENSAVA EU, O IDIOTA.
Combinamos de sair hoje, meio que de galera, nada 1 a 1. Acontece que a mina é do rock. Não como eu ou você, mas dos antros mais imundos do velho continente.
Ah, sim, contextualizo. Ontem à noite, meu amigo Páris foi no bar que ela trabalha e contou sobre toda minha paixão e desejo, ao que ela se mostrou muito contente e empolgada.
Buenas, pensei eu, É HOJE. Bom, e de fato foi. Ela nos levou primeiro ao bar mais chulé que eu vi na minha vida e me fez jogar pebolim com umas minas completamente insanas (uma delas usava algemas). Me fez jogar Master num fliperama bizarro e tomar um trago violento de tequila. Aí saímos pra rua, eu e ela, e eu me declarei como os bons poetas da bossa nova, ao que nos beijamos e ela disse: soy tímida, vamos poco a poco. Ah, estava chovendo e eu sugeri como isso era romântico.
POCO A POCO É O CARALHO. Como eu tô numa fase tranqüila, nem fiquei dando muita bola pra ela e mudamos de bar quando o primeiro fechou. Na saída do segundo (um pouco menos escroto que o primeiro), ela desaparece. Foda-se, penso eu, e convido Páris para um lanche e no caminho vou escrevendo uma mensagem para a basca no que ela me liga e diz que vai nos buscar pra levar pro terceiro bar.
Terceiro bar ooooooooooooooooooooooooooooou OH MY GOD, WHAT WILL HAPPEN NEXT? No maldito terceiro bar ela tem uma crise depressiva e é consolada por algum amigo imbecil. Ah, fala sério, imbecil sou eu. Depois da crise de 10 minutos eu olho de novo e ela está SE GRUDANDO VIOLENTAMENTE COM UMA GURIA. So much for her timidez. Ela vai pro BANHEIRO COM A GURIA (que aliás tinha um namorado que ficou bastante desgostoso com a situação enquanto eu ria da minha própria desgraça) e fica lá uns 20 minutos.
Eu nem lembro o que aconteceu depois. Sei que agora são 20 pras 6 da manhã e minha vida é uma catástrofe total. E isso, sério, é muito engraçado.
Combinamos de sair hoje, meio que de galera, nada 1 a 1. Acontece que a mina é do rock. Não como eu ou você, mas dos antros mais imundos do velho continente.
Ah, sim, contextualizo. Ontem à noite, meu amigo Páris foi no bar que ela trabalha e contou sobre toda minha paixão e desejo, ao que ela se mostrou muito contente e empolgada.
Buenas, pensei eu, É HOJE. Bom, e de fato foi. Ela nos levou primeiro ao bar mais chulé que eu vi na minha vida e me fez jogar pebolim com umas minas completamente insanas (uma delas usava algemas). Me fez jogar Master num fliperama bizarro e tomar um trago violento de tequila. Aí saímos pra rua, eu e ela, e eu me declarei como os bons poetas da bossa nova, ao que nos beijamos e ela disse: soy tímida, vamos poco a poco. Ah, estava chovendo e eu sugeri como isso era romântico.
POCO A POCO É O CARALHO. Como eu tô numa fase tranqüila, nem fiquei dando muita bola pra ela e mudamos de bar quando o primeiro fechou. Na saída do segundo (um pouco menos escroto que o primeiro), ela desaparece. Foda-se, penso eu, e convido Páris para um lanche e no caminho vou escrevendo uma mensagem para a basca no que ela me liga e diz que vai nos buscar pra levar pro terceiro bar.
Terceiro bar ooooooooooooooooooooooooooooou OH MY GOD, WHAT WILL HAPPEN NEXT? No maldito terceiro bar ela tem uma crise depressiva e é consolada por algum amigo imbecil. Ah, fala sério, imbecil sou eu. Depois da crise de 10 minutos eu olho de novo e ela está SE GRUDANDO VIOLENTAMENTE COM UMA GURIA. So much for her timidez. Ela vai pro BANHEIRO COM A GURIA (que aliás tinha um namorado que ficou bastante desgostoso com a situação enquanto eu ria da minha própria desgraça) e fica lá uns 20 minutos.
Eu nem lembro o que aconteceu depois. Sei que agora são 20 pras 6 da manhã e minha vida é uma catástrofe total. E isso, sério, é muito engraçado.
Monday, October 20, 2008
Tópicos Madrileños
- A polícia está em todo lugar aqui.
- Tem batedor de carteira em todo lugar aqui.
- Não tem postos de gasolina em nenhum lugar aqui.
- Espanhóis respeitam mesmo a faixa de pedestres.
- Povo mais hostil em uma conversação: espanhóis.
- Aqui as pessoas gostam de andar com cuecas e calcinhas à mostra (so much for the european class)
- Aqui também tem bafômetro.
- Bares fecham às 2, antros às 8.
- Pessoas bebem no parque antes de irem a festas.
- Pessoas sujam pra caralho os parques depois de beberem.
- No outro dia tá tudo limpinho.
- Bolivianos são lixeiros de parques.
- Ninguém gosta de brasileiros, eles só nos acham engraçadinhos.
- Tem batedor de carteira em todo lugar aqui.
- Não tem postos de gasolina em nenhum lugar aqui.
- Espanhóis respeitam mesmo a faixa de pedestres.
- Povo mais hostil em uma conversação: espanhóis.
- Aqui as pessoas gostam de andar com cuecas e calcinhas à mostra (so much for the european class)
- Aqui também tem bafômetro.
- Bares fecham às 2, antros às 8.
- Pessoas bebem no parque antes de irem a festas.
- Pessoas sujam pra caralho os parques depois de beberem.
- No outro dia tá tudo limpinho.
- Bolivianos são lixeiros de parques.
- Ninguém gosta de brasileiros, eles só nos acham engraçadinhos.
Amarga crueldade
Buenas, uma semana atrás eu tomei a decisão de excluir uma pessoa da minha vida. Talvez a pessoa que eu menos quisesse excluir, mas, definitivamente, a que eu mais precisava em função do que eu sentia.
E consegui. Difícil, mas, como me disse um grande amigo "se começa a apreciar coisas simples da vida". Pode parecer clichê, mas faz todo o sentido. Na situação que estávamos, ela me fazia um mal terrível.
E não é que ela me liga hoje? Perguntando como eu estou e com a mesma voz cantarolante de sempre. Pergunto se ela não leu meu e-mail dizendo que eu havia decidido esquecê-la pra valer. Ela responde com descaso e diz que eu sempre escrevo coisas e depois volto atrás. Pois bem, "não desta vez", digo eu. Seco. Duro como uma rocha. Desmoronando por dentro como um castelinho de areia levado pela maré. "Adeus" é a palavra que escolho.
É muito passado pra se esquecer. Já me disseram inúmeras vezes que "nunca se sabe", que "tudo pode acontecer" e que "o destino a Deus pertence". Não, EU SEI, NADA VAI ACONTECER e isso porque em grande parte o MEU DESTINO A MIM PERTENCE. E por mais que me doa agora, é uma coisa que eu devo e vou passar por cima. Vai me render uma tatuagem na certa.
O resto não há. Há uma ponta de sofrimento, de dor, mas uma dose cavalar de respeito próprio e dignidade.
E consegui. Difícil, mas, como me disse um grande amigo "se começa a apreciar coisas simples da vida". Pode parecer clichê, mas faz todo o sentido. Na situação que estávamos, ela me fazia um mal terrível.
E não é que ela me liga hoje? Perguntando como eu estou e com a mesma voz cantarolante de sempre. Pergunto se ela não leu meu e-mail dizendo que eu havia decidido esquecê-la pra valer. Ela responde com descaso e diz que eu sempre escrevo coisas e depois volto atrás. Pois bem, "não desta vez", digo eu. Seco. Duro como uma rocha. Desmoronando por dentro como um castelinho de areia levado pela maré. "Adeus" é a palavra que escolho.
É muito passado pra se esquecer. Já me disseram inúmeras vezes que "nunca se sabe", que "tudo pode acontecer" e que "o destino a Deus pertence". Não, EU SEI, NADA VAI ACONTECER e isso porque em grande parte o MEU DESTINO A MIM PERTENCE. E por mais que me doa agora, é uma coisa que eu devo e vou passar por cima. Vai me render uma tatuagem na certa.
O resto não há. Há uma ponta de sofrimento, de dor, mas uma dose cavalar de respeito próprio e dignidade.
Tuesday, October 14, 2008
Preparados
Não sei porque me lembrei hoje sobre quando fui morar no Chile. Me recordo que minha mãe me deu um rolo de papel higiênico (fui de ônibus, 40 horas desde Porto Alegre) para que eu estivesse preparado para qualquer situação.
Eu nunca usei aquele papel higiênico. Mas se eu precisasse, lá ele estaria. Eu estaria plenamente preparado para qualquer imprevisto.
E qual a graça nisso? Que grandes histórias e experiências podem vir de uma pessoa precavida?
Talvez na vida nos tornemos prevenidos em excsso, conhecedores por experiência do que pode e do que não pode dar errado e levamos sempre um rolo de papel higiênico nas mãos, impedindo nosso destino de ser mais surpreendente, contundente e envolvente.
Aprendemos com a vida. Aprendemos a estar preparados. Devíamos aprender o oposto, deveríamos correr mais riscos e deixar o papel higiênico em casa.
Eu nunca usei aquele papel higiênico. Mas se eu precisasse, lá ele estaria. Eu estaria plenamente preparado para qualquer imprevisto.
E qual a graça nisso? Que grandes histórias e experiências podem vir de uma pessoa precavida?
Talvez na vida nos tornemos prevenidos em excsso, conhecedores por experiência do que pode e do que não pode dar errado e levamos sempre um rolo de papel higiênico nas mãos, impedindo nosso destino de ser mais surpreendente, contundente e envolvente.
Aprendemos com a vida. Aprendemos a estar preparados. Devíamos aprender o oposto, deveríamos correr mais riscos e deixar o papel higiênico em casa.
Monday, October 13, 2008
Costanilla de los Desamparados
Domingo, 12 de Outubro de 2008. Definitivamente um dia que merece um capítulo inteiro em minha biografia. Ou, quem sabe, até dois. Recomendo a leitura atenciosa do longo mosaico de idéias que se estende porque minha vida nunca mais será a mesma.
Era o último dia do VivAmérica que é alguma coisa que eu não entendi. Mas tinha a tal de La Marcha com trio elétrico da Daniela Mercury, Orishas e eu só pude concluir: OPAH,FIESTA! Bom, convoquei um punhado de cavaleiros da diversão os quais eram:
Válcir e Regina: casal do Nordeste que estão aqui por conta de um curso que ela está fazendo.
Elisa: Senhorita simpática e casada que está aqui realiando seu doutorado sanduíche em biologia.
Páris: O afilhado do Chico Buarque, cara extremamente culto e um legítimo caçador de boas histórias.
Se o Grêmio é capaz de liderar o Brasileirão com aquele time, eu tive certeza que ese escrete era plenamente apto a lutar pelas boas histórias e redenção da alma.
E nos fomos. Decepção geral quando a tal marcha se inicia como um desfile organizado e respeitado pelo público que não mais fazia do que olhar e aplaudir. Participação não é com esses espanhóis. Enquanto El Salvador contagiava e empolgava um bando de 5 velhinhas com bandeirolas e chapéu, decidimos ir à procura de um bar.
Extremamente difícil encontrar algum lugar para se desfrutar de um belo chope no domingo com parada e tudo, mas conseguimos e encontramos. Um chope, ok, beleza, lugarzinho mais ou menos e nos mandamos. No caminho de volta a La Marcha (realmente acreditávamos que poderia ficar melhor) paramos em um outro bar ainda menos simpático que o anterior mas com preços convidativos (além do que a ausência de ambulantes no desfile tornava o acesso a qualquer coisa uma impossibilidade nas imediações do furdunço). E lá vinha ela, a chata e esganiçada Daniela Mercury com músicas dos princípios da década de 1990 e um discurso sobre a necessidade dos europeus reduzirem subsídios para as importações de produtos brasileiros (quem leva o Brasil a sério só pode ser idiota). Atrás e na frente do trio elétrico a alegria e malícia do povo brasileiro encantavam a todos e desta vez conseguimos nos infiltrar na massa. Mais um erro que cometi na vida: o que durante dez minutos significou samba no pé e gingado gaúcho contaminando a avenida logo se tornou em um amontoamento de baianos se empurrando, se debatendo e o pisoteamento seria meu destino inevitável se não tivesse conseguido escapar pela tangente com meus fiéis escudeiros.
Passou o maldito trio elétrico do inferno e, quando já se aproximava o desfile do Uruguay com suas duas bandeiras e 17 pessoas, voltamos à avenida, agora já com mais calma, espaço para se mexer e pura tranquilidade. Rá, se antes tivera meu corpo esmagado por milhares de pessoas, agora estava prestes a ter meu coração pisoteado, destruído e humilhado. Afinal, quem surge ali, no meio da massa, no meio de 700 mil pessoas que participavam do evento? Não ao longe, mas ALI, a 3 metros de mim. Ela. Não somente ela, ELA. A mulher por quem cruzei o oceano, para quem entreguei meu coração e que me rechaçou como o rato imundo que eu devo ser. ELA está de costas, a puxo pelo braço e a cumprimento. Vejo seu rosto empalidecer ao instante ao passo que meu coração dispara como se minha alma de repente tivesse decidido correr os 100m rasos da vida. Me afasto após o olá nervoso e repleto de outras expressões não-ditas. Meus camaradinhas me consolam ao que Válcir diz:
- Olha lá, ela está te procurando.
E estava, me buscava com os olhos, não com o coração como eu gostaria. Tal qual um colegial em seu primeiro baile me encho de coragem para ir falar com ela, como se não a conhecesse, com o medo daqueles que desafiam o destino de braços abertos e expõem seus sentimentos à possibilidade de serem inteiramente destroçados. A convido para conhecer meus amigos, o que ela aceita de bom grado e os saúda com a simpatia que lhe é peculiar. A pergunto se pode conversar por um breve momento e ela aceita, diálogo o qual reproduzo:
- Tudo bem?
- Tudo.
Ok, terminam aí os intróitos, não estava afim de uma conversa supérflua e banal.
- Faz uma semana que a gente não se fala, como tu te sentes?
- Bem, tô feliz.
- Ficaste melhor comigo fora da sua vida, então...
- Ai, Bruno...eu estava tendo uma série de sentimentos antigos quando eu estava te vendo...
- Sentimentos bons?
- Não, sentimentos ruins, eu estava me sentindo nervosa, presa...
- Tudo isso ou foi apenas aquele e-mail que você leu (trocas de carinho e juras de amor com uma menina muito especial na minha vida)...
- É...isso...outras coisas também...
- E você ainda me ama?
- Eu...eu acho que não...
- Então provavelmente essa é a última vez que nos vemos...Tu me queres fora da sua vida?
- Não, não sei. Eu esperava que pudéssemos ser amigos...
- Eu não posso ser seu amigo. Não agora e talvez nunca.
- Então talvez seja melhor a gente se afastar.
- É...(aqui, neste exato momento, quem estivesse por perto poderia ver claramente meu coração ser arrancado do meu peito, jogado no asfalto e ter uma turba de baianos sambando em cima dele)
- Olha, eu vou voltar pras minhas amigas...
- Ok...
Um beijo na bochecha, um abraço e ela se foi. E com ela toda minha alegria de viver naquele momento. Meus ombros despencaram, minha respiração falhou e ao som das colocações de apoio (ou seria pena?) dos meus companheiros decidimos abandonar o evento e irmos a um bar. Sentamos em uma praça e em meio a lamúrios e tentativas de resgatar minha dignidade e amor-próprio tomamos uma Urquell, ao que ficamos somente eu e Páris, tendo Elisa, Regina e Válcir nos deixado à própria sorte, visto que tinham compromissos pela manhã de segunda-feira. Ficamos então discutindo sobre corações partidos, mulheres e como sofrer por amor pode ser uma coisa construtiva para o caráter de homem. Partimos dali, entonces, para buscar o passaporte dele, uma barra de chocolate e uma quantia substancial de dinheiro. De lá fomos a la Plaza Mayor e desfrutamos de uma cerveja belga em um boteco que estava prestes a fechar ao que eu contava minha vida de forma não resumida. Bar fechado, ok, nos dirigimos para um ao lado. Uma cerveja, ok, bar fechado também. Isso devia ser próximo da 1h da manhã. Saímos caminhando sem absolutamente nenhum destino, nenhum objetivo relegando ao acaso o destino de nossas vidas naquela principiante madrugada de segunda-feira.
E aí o inesperado acontece. O surpreendente. O Universo conspirando por algo que ainda não consigo entender. Um magrão nos aborda numa rua e nos sugere uma ida ao seu bar, oferecendo o preço da cerveja e com uma dificuldade incrível de explicar o tamanho do copo. Demos um "ok" plenamente descrente mas fomos e entramos NO MELHOR BAR DE MADRID. Era pequeno e não tinha ninguém fora um casal de bêbados, um casal de bolivianos, um cara sozinho num canto do balcão e 3 metaleiros discutindo sobre desafios de matemática. Mas a música. Ah, o doce rock and roll como eu não ouvira e não haverei de ouvir em nenhum outro local desta cidade. Uma seleção de músicas não como as do Renan (que eu não conheço nenhuma), mas músicas que eu conhecia, gostava e representavam perfeitamente o meu estado de espírito. Creep, Crazy, Dream On, Fear of the Dark, That Thing You Do e outras. Quem seria responsável por esta tortura alentadora? Ela. Eu não sei seu nome, mas gosto de pensar que é Esperança. A bartender do local de sorriso fácil e papo amigável, linda como o arco-íris após a tormenta. O bar fecha, ao que ela se dirige a mim, me abraça e me beija na bochecha. Ó incrível dualidade! Como pode o mesmo ato repetido representar em um período tão curto a dor e a redenção? Peço um cartão do local e aí está. O título deste e-mail descreve a localidade do botequim. COSTANILLA DE LOS DESAMPARADOS. Tradução desnecessária, creio. Rio, rio com vontade da gigantesca piada que se fez da minha vida e da coincidência providencial.
Me ergo. Ergue-se meu espírito e nada mais pode me parar. Eu não deixei meu amor quando ELA se foi, mas eu acredito que, seja o que for, algo melhor é possível e está por vir.
No retorno ao lar ainda paramos em um bar por 1 minuto que foi o tempo que precisamos para perceber que se tratava de um clube gay e em um boteco de taxistas no qual tivemos exaltada conversa sobre futebol sulamericano com um garçom equatoriano e outro argentino (que ficou puto por eu ter perguntado se ele era de la hincha de Boca).
Enfim o retorno. A dor permanece mas já não me consome. O sorriso durante o sono desaparece, mas é substituído por um ar de tranquilidade, calma e completa desistência de controlar algo que seja na minha vida pelos próximos dias. Deixa acontecer.
Era o último dia do VivAmérica que é alguma coisa que eu não entendi. Mas tinha a tal de La Marcha com trio elétrico da Daniela Mercury, Orishas e eu só pude concluir: OPAH,FIESTA! Bom, convoquei um punhado de cavaleiros da diversão os quais eram:
Válcir e Regina: casal do Nordeste que estão aqui por conta de um curso que ela está fazendo.
Elisa: Senhorita simpática e casada que está aqui realiando seu doutorado sanduíche em biologia.
Páris: O afilhado do Chico Buarque, cara extremamente culto e um legítimo caçador de boas histórias.
Se o Grêmio é capaz de liderar o Brasileirão com aquele time, eu tive certeza que ese escrete era plenamente apto a lutar pelas boas histórias e redenção da alma.
E nos fomos. Decepção geral quando a tal marcha se inicia como um desfile organizado e respeitado pelo público que não mais fazia do que olhar e aplaudir. Participação não é com esses espanhóis. Enquanto El Salvador contagiava e empolgava um bando de 5 velhinhas com bandeirolas e chapéu, decidimos ir à procura de um bar.
Extremamente difícil encontrar algum lugar para se desfrutar de um belo chope no domingo com parada e tudo, mas conseguimos e encontramos. Um chope, ok, beleza, lugarzinho mais ou menos e nos mandamos. No caminho de volta a La Marcha (realmente acreditávamos que poderia ficar melhor) paramos em um outro bar ainda menos simpático que o anterior mas com preços convidativos (além do que a ausência de ambulantes no desfile tornava o acesso a qualquer coisa uma impossibilidade nas imediações do furdunço). E lá vinha ela, a chata e esganiçada Daniela Mercury com músicas dos princípios da década de 1990 e um discurso sobre a necessidade dos europeus reduzirem subsídios para as importações de produtos brasileiros (quem leva o Brasil a sério só pode ser idiota). Atrás e na frente do trio elétrico a alegria e malícia do povo brasileiro encantavam a todos e desta vez conseguimos nos infiltrar na massa. Mais um erro que cometi na vida: o que durante dez minutos significou samba no pé e gingado gaúcho contaminando a avenida logo se tornou em um amontoamento de baianos se empurrando, se debatendo e o pisoteamento seria meu destino inevitável se não tivesse conseguido escapar pela tangente com meus fiéis escudeiros.
Passou o maldito trio elétrico do inferno e, quando já se aproximava o desfile do Uruguay com suas duas bandeiras e 17 pessoas, voltamos à avenida, agora já com mais calma, espaço para se mexer e pura tranquilidade. Rá, se antes tivera meu corpo esmagado por milhares de pessoas, agora estava prestes a ter meu coração pisoteado, destruído e humilhado. Afinal, quem surge ali, no meio da massa, no meio de 700 mil pessoas que participavam do evento? Não ao longe, mas ALI, a 3 metros de mim. Ela. Não somente ela, ELA. A mulher por quem cruzei o oceano, para quem entreguei meu coração e que me rechaçou como o rato imundo que eu devo ser. ELA está de costas, a puxo pelo braço e a cumprimento. Vejo seu rosto empalidecer ao instante ao passo que meu coração dispara como se minha alma de repente tivesse decidido correr os 100m rasos da vida. Me afasto após o olá nervoso e repleto de outras expressões não-ditas. Meus camaradinhas me consolam ao que Válcir diz:
- Olha lá, ela está te procurando.
E estava, me buscava com os olhos, não com o coração como eu gostaria. Tal qual um colegial em seu primeiro baile me encho de coragem para ir falar com ela, como se não a conhecesse, com o medo daqueles que desafiam o destino de braços abertos e expõem seus sentimentos à possibilidade de serem inteiramente destroçados. A convido para conhecer meus amigos, o que ela aceita de bom grado e os saúda com a simpatia que lhe é peculiar. A pergunto se pode conversar por um breve momento e ela aceita, diálogo o qual reproduzo:
- Tudo bem?
- Tudo.
Ok, terminam aí os intróitos, não estava afim de uma conversa supérflua e banal.
- Faz uma semana que a gente não se fala, como tu te sentes?
- Bem, tô feliz.
- Ficaste melhor comigo fora da sua vida, então...
- Ai, Bruno...eu estava tendo uma série de sentimentos antigos quando eu estava te vendo...
- Sentimentos bons?
- Não, sentimentos ruins, eu estava me sentindo nervosa, presa...
- Tudo isso ou foi apenas aquele e-mail que você leu (trocas de carinho e juras de amor com uma menina muito especial na minha vida)...
- É...isso...outras coisas também...
- E você ainda me ama?
- Eu...eu acho que não...
- Então provavelmente essa é a última vez que nos vemos...Tu me queres fora da sua vida?
- Não, não sei. Eu esperava que pudéssemos ser amigos...
- Eu não posso ser seu amigo. Não agora e talvez nunca.
- Então talvez seja melhor a gente se afastar.
- É...(aqui, neste exato momento, quem estivesse por perto poderia ver claramente meu coração ser arrancado do meu peito, jogado no asfalto e ter uma turba de baianos sambando em cima dele)
- Olha, eu vou voltar pras minhas amigas...
- Ok...
Um beijo na bochecha, um abraço e ela se foi. E com ela toda minha alegria de viver naquele momento. Meus ombros despencaram, minha respiração falhou e ao som das colocações de apoio (ou seria pena?) dos meus companheiros decidimos abandonar o evento e irmos a um bar. Sentamos em uma praça e em meio a lamúrios e tentativas de resgatar minha dignidade e amor-próprio tomamos uma Urquell, ao que ficamos somente eu e Páris, tendo Elisa, Regina e Válcir nos deixado à própria sorte, visto que tinham compromissos pela manhã de segunda-feira. Ficamos então discutindo sobre corações partidos, mulheres e como sofrer por amor pode ser uma coisa construtiva para o caráter de homem. Partimos dali, entonces, para buscar o passaporte dele, uma barra de chocolate e uma quantia substancial de dinheiro. De lá fomos a la Plaza Mayor e desfrutamos de uma cerveja belga em um boteco que estava prestes a fechar ao que eu contava minha vida de forma não resumida. Bar fechado, ok, nos dirigimos para um ao lado. Uma cerveja, ok, bar fechado também. Isso devia ser próximo da 1h da manhã. Saímos caminhando sem absolutamente nenhum destino, nenhum objetivo relegando ao acaso o destino de nossas vidas naquela principiante madrugada de segunda-feira.
E aí o inesperado acontece. O surpreendente. O Universo conspirando por algo que ainda não consigo entender. Um magrão nos aborda numa rua e nos sugere uma ida ao seu bar, oferecendo o preço da cerveja e com uma dificuldade incrível de explicar o tamanho do copo. Demos um "ok" plenamente descrente mas fomos e entramos NO MELHOR BAR DE MADRID. Era pequeno e não tinha ninguém fora um casal de bêbados, um casal de bolivianos, um cara sozinho num canto do balcão e 3 metaleiros discutindo sobre desafios de matemática. Mas a música. Ah, o doce rock and roll como eu não ouvira e não haverei de ouvir em nenhum outro local desta cidade. Uma seleção de músicas não como as do Renan (que eu não conheço nenhuma), mas músicas que eu conhecia, gostava e representavam perfeitamente o meu estado de espírito. Creep, Crazy, Dream On, Fear of the Dark, That Thing You Do e outras. Quem seria responsável por esta tortura alentadora? Ela. Eu não sei seu nome, mas gosto de pensar que é Esperança. A bartender do local de sorriso fácil e papo amigável, linda como o arco-íris após a tormenta. O bar fecha, ao que ela se dirige a mim, me abraça e me beija na bochecha. Ó incrível dualidade! Como pode o mesmo ato repetido representar em um período tão curto a dor e a redenção? Peço um cartão do local e aí está. O título deste e-mail descreve a localidade do botequim. COSTANILLA DE LOS DESAMPARADOS. Tradução desnecessária, creio. Rio, rio com vontade da gigantesca piada que se fez da minha vida e da coincidência providencial.
Me ergo. Ergue-se meu espírito e nada mais pode me parar. Eu não deixei meu amor quando ELA se foi, mas eu acredito que, seja o que for, algo melhor é possível e está por vir.
No retorno ao lar ainda paramos em um bar por 1 minuto que foi o tempo que precisamos para perceber que se tratava de um clube gay e em um boteco de taxistas no qual tivemos exaltada conversa sobre futebol sulamericano com um garçom equatoriano e outro argentino (que ficou puto por eu ter perguntado se ele era de la hincha de Boca).
Enfim o retorno. A dor permanece mas já não me consome. O sorriso durante o sono desaparece, mas é substituído por um ar de tranquilidade, calma e completa desistência de controlar algo que seja na minha vida pelos próximos dias. Deixa acontecer.
Esclarecimento
Tendo em vista uma série de reclamatórias e puxões de orelha eu me sinto obrigado a intervir com o seguinte statement:
Eu não estou virando alcóolatra, não estou me tornando dependente do álcool e nem sequer estou bebendo em Madrid quantidades de cerveja/vinho/whatever que justifiquem preocupação de qualquer parte.
Ok? Obrigado.
Eu não estou virando alcóolatra, não estou me tornando dependente do álcool e nem sequer estou bebendo em Madrid quantidades de cerveja/vinho/whatever que justifiquem preocupação de qualquer parte.
Ok? Obrigado.
Sunday, October 12, 2008
Um sábado devagar
Meu sábado foi bastante distante do que prometera a sexta-feira. Após uma caminhada matinal em busca de um lugar que vendesse cigarros (e matinal eu digo porque ainda estou no fuso brasileiro, aqui devia ser umas 14h) encontro o Páris (daqui pra diante me refiro a ele como afilhado do chico buarque, ou somente afilhado, ou somente chiquinho. É, chiquinho parece uma boa) e ele me convida pra ir com ele buscar um dinheiro com sua mãe e tal.
Após a missão cumprida pelo amigo Chiquinho, nos dirigimos a lugar nenhum procurando algum lugar que nos convidasse ao chope, ao que caminhamos meia-hora para encontrarmos um oásis no centro nublado de Madrid, uma plaza qualquer, sem nome até onde eu sei. Discutindo sobre Beatles, Led Zeppelin, literatura russa e fracassos em relacionamentos amorosos com mulheres, sorvemos uma respeitável quantidade de Urquell e às 20h decidimos voltar pra casa do Brasil para a preparação do que prometêramos ser a noite de nossas vidas.
Evidentemente após o chope, a janta e o clima fúnebre que se instalava na residência, decidi que precisava de meia-hora de sono e assim o fiz. Acordei com aquele brilhinho, aquelas luzes piscando no meu cérebro e que diziam somente FIESTA, FIESTA, FIESTA. Quando desço ao lobby uma faca é cravada no meu coração em vista da ausência de animação, música e pessoas pelos arredores. Ou todos já saíram ou já foram dormir, pensei. Vim a descobrir que dormiram. Depressão total, quase um Beto Carreiro World da vida, tal minha desilusão.
Voltei ao meu quarto buscando respostas sobre crises existenciais em livros e diálogos em msn. Dormi o sono dos injustiçados e não há alento para isso. Cheguei a deixar a porta do quarto somente encostada, esperando algo surpreendente que não veio jamais.
Mas hoje é domingo e em vez da tristeza e melancolia eu tenho La Marcha de Latinoamérica para ir. Não gosto de criar expectativas infundadas, mas se não for o mais caótico, estupendo e memorável evento da minha vida eu vou ficar bastante frustrado. De novo.
Após a missão cumprida pelo amigo Chiquinho, nos dirigimos a lugar nenhum procurando algum lugar que nos convidasse ao chope, ao que caminhamos meia-hora para encontrarmos um oásis no centro nublado de Madrid, uma plaza qualquer, sem nome até onde eu sei. Discutindo sobre Beatles, Led Zeppelin, literatura russa e fracassos em relacionamentos amorosos com mulheres, sorvemos uma respeitável quantidade de Urquell e às 20h decidimos voltar pra casa do Brasil para a preparação do que prometêramos ser a noite de nossas vidas.
Evidentemente após o chope, a janta e o clima fúnebre que se instalava na residência, decidi que precisava de meia-hora de sono e assim o fiz. Acordei com aquele brilhinho, aquelas luzes piscando no meu cérebro e que diziam somente FIESTA, FIESTA, FIESTA. Quando desço ao lobby uma faca é cravada no meu coração em vista da ausência de animação, música e pessoas pelos arredores. Ou todos já saíram ou já foram dormir, pensei. Vim a descobrir que dormiram. Depressão total, quase um Beto Carreiro World da vida, tal minha desilusão.
Voltei ao meu quarto buscando respostas sobre crises existenciais em livros e diálogos em msn. Dormi o sono dos injustiçados e não há alento para isso. Cheguei a deixar a porta do quarto somente encostada, esperando algo surpreendente que não veio jamais.
Mas hoje é domingo e em vez da tristeza e melancolia eu tenho La Marcha de Latinoamérica para ir. Não gosto de criar expectativas infundadas, mas se não for o mais caótico, estupendo e memorável evento da minha vida eu vou ficar bastante frustrado. De novo.
Saturday, October 11, 2008
O Pyw é meu pastor e nada me faltará
Ainda aturdido pelas discussões filosóficas da quinta-feira, a demonstração sentimental do Taborda e os gritos de rock and roll do Pyw, decidi que nesta sexta-feira eu faria algo diferente. Decidi que mudaria o destino da minha vida neste continente. Realmente a vida pode nos dar as costas em alguns momentos e é justamente nesta hora que é mais importante encher os pulmões e soltar um urro, O urro, que seja capaz de mudar o destino do universo.
Buenas, depois de cruzar Madrid de Oeste a Leste cheguei à tal Plaza de Toros. Achei que ia visitar, mas uma fila gigantesca se amontoava em frente à bela obra arquitetônica e a última coisa que eu precisava para me animar era ver uns caras vestidos de palhaços matando aos poucos um boi. Dirigi-me a um local mais calmo e abri meu volume de O Lobo da Estepe e fiquei lendo. Lá pela página 160 eu fecho o livro e digo: CHEGA! Alguns gatos pingados me olham por breves instantes e depois voltam a se entreter com suas vidas desprezíveis. Foda-se se eu cruzei o mundo por causa de uma mulher e ela nem tchum. Foda-se tudo. Virei cinzas, mas agora era a hora do meu renascimento.
Me dirigi ao mercado mais próximo com um pensamento na cabeça: UÍSQUE. Maldito supermercado que mantinha os destilados injustamente aprisionados em um armário chaveado e sem nenhum espanhol debilóide pra abrir. Acabei pegando uma garrafa de vinho. Uma não, duas. Vinhos ruins, diga-se de passagem. Retomei minha rota, desta vez de Leste a Oeste, com duas garrafas na mochila, uma lágrima no olho e muita raiva no coração. Me atrasei para a janta, de forma que comi praticamente sozinho. Mas quando preenchi minha bandeja com os doces e suculentos alimentos à disposição e a coloquei sobre a mesa, pensei: ei, tá faltando alguma coisa aqui. Voltei para o quarto, peguei a garrafa de vinho, a primeira, e me lembrei porque se compra vinho de caixinha quando não se tem abridor. Herculeamente, com a ajuda de uma tesourinha de unha/pentelho/barba e de uma caneta esferográfica consegui abrir a garrafa, não sem muito vinho esparramar pelos meus aposentos. Voltei embalsamado em vinho para o refeitório e com o sorriso largo pela conquista garrafal, portando meu troféu numa mão e um escudo contra os olhares inquisidores na outra. Lá jazia minha refeição, já fria, já sem gosto, já sem vida. Mas quem se importava? A cada garfada eu sorvia um gole do doce suco de uva fermentado e a cada segundo o mundo parecia brilhar mais e mais. Sozinho, bebendo, com pessoas jovens e joviais ao fundo eu deveria me sentir desprezível, um rato, mas tal qual Colombo em sua caravela, eu me sentia prestes a descobrir um novo mundo.
Saí do refeitório e me dirigi calmamente ao estacionamento para o consumo tabagista, ainda carregando comigo pouco menos de meia garrafa de vinho. Algo entre a primeira tragada e o terceiro gole de vinho saem duas pessoas para fumar também. Finalmente eu conseguia atrair presas para o meu ambiente de maior desenvoltura social. Ao que conversamos, tratava-se de um casal de nordestinos que viera a Madrid fazer um curso de 3 meses. Conversas sobre imigração, clima e preço dos cigarros deram o tom da conversa até que chega para unir-se a nós o ser humano mais bizarro que já saiu do ventre de uma mulher. Páris era seu nome. O cara nasceu nas Ilhas Canárias, morou no Brasil, na Espanha, na França e na Grécia ao que explico: o pai dele é embaixador brasileiro, casado com uma espanhola. O cidadão, visivelmente embriagado, começa a contar histórias taxísticas sobre a sua juventude, a vez que Paul MacCartney jantou em sua casa, a grande freqüência de visitas que Vinícius e Tom faziam ao seu lar em sua época de infância e o fato do seu padrinho ser o Chico Buarque. Bom, obviamente desse cara só poderiam vir as melhores histórias e eu e os nordestinos nos calamos a escutar por exceção de algumas intervenções que o álcool no meu sangue conduzia. Aí eu me enchi o saco e, já ébrio, disse: quero um violão. Opah! Tinha um cara na área de convivência tocando, ao que eu disse: deixa eu ver? O Cainelli vai gostar dessa. O cara arranhava 6 ou 7 acordes que o permitiam tocar Legião Urbana e Raul Seixas numa boa e no que ele "deixa eu ver" o violão eu faço alguma coisa que não me lembro agora que fez as gurias presentes dizerem um sonoro óóóóóóóóóó. Realmente a bebida é uma boa amiga da música e sem conseguir enxergar as cordas eu fiz acordes por puro instinto e malícia, fui dominado por um espírito do blues e toquei coisas que eu jamais tocara antes. A roda anteriormente restrita a 4 pessoas agora pulsava como um estádio em chamas, me levando ao suor e à emoção plena. Rasguei meu dedo, mas valeu a pena.
Finalmente, quando bebia mais vinho, fomos todos vaiados pelo segurança do local que nos enxotou para os quartos (ou era isso ou era ficar em silêncio e sem fumar, ahpáputaquepariu). Chego em minha habitação e meu computador estava ligado, OPAH. Diversas janelas do msn em cor alaranjada em minha tela. Vou descartando-as conforme vejo que seus respectivos donos não mais online estão até que chego à última. A janela da Tara. Contextualizo. No Chile eu fiz um grande amigo chamado Graham Fisher, que era um americano de Wash DC e uma pessoa da mais boa índole, fã de guns and roses, álcool e putaria. Agora que eu vim pra Madrid ele disse que vai vir aqui me visitar em julho do ano que vem, nas minhas férias, para fazermos noites violentas e mudarmos o destino do continente europeu pra pior. Essa Tara é amiga dele e professora de espanhol e se mostrou entusiasmada de vir também, ao que ele enviou fotos minhas pra ela, ela me adicionou no msn e no facebook e estamos nos falando há uns 4 dias. Bom, TECLO com ela por cerca de meia hora, errando absolutamente todas as palavras em um esforço inútil de escrever corretamente quando bêbado e falo umas bobagens pra ela ao que ela declara que está interessada em mim e que gostaria de vir antes pra Espanha pra poder acabar com sua frustração sexual....
Sem nada mais a dizer......
Não é uma grande história, mas é um belo começo para jornadas européias de uma vida que ainda tem muito rock and roll pela frente.
Fui dormir com um sorriso no rosto e a agridoce sensação de ter que admitir que o Pyw sempre tem razão.
Buenas, depois de cruzar Madrid de Oeste a Leste cheguei à tal Plaza de Toros. Achei que ia visitar, mas uma fila gigantesca se amontoava em frente à bela obra arquitetônica e a última coisa que eu precisava para me animar era ver uns caras vestidos de palhaços matando aos poucos um boi. Dirigi-me a um local mais calmo e abri meu volume de O Lobo da Estepe e fiquei lendo. Lá pela página 160 eu fecho o livro e digo: CHEGA! Alguns gatos pingados me olham por breves instantes e depois voltam a se entreter com suas vidas desprezíveis. Foda-se se eu cruzei o mundo por causa de uma mulher e ela nem tchum. Foda-se tudo. Virei cinzas, mas agora era a hora do meu renascimento.
Me dirigi ao mercado mais próximo com um pensamento na cabeça: UÍSQUE. Maldito supermercado que mantinha os destilados injustamente aprisionados em um armário chaveado e sem nenhum espanhol debilóide pra abrir. Acabei pegando uma garrafa de vinho. Uma não, duas. Vinhos ruins, diga-se de passagem. Retomei minha rota, desta vez de Leste a Oeste, com duas garrafas na mochila, uma lágrima no olho e muita raiva no coração. Me atrasei para a janta, de forma que comi praticamente sozinho. Mas quando preenchi minha bandeja com os doces e suculentos alimentos à disposição e a coloquei sobre a mesa, pensei: ei, tá faltando alguma coisa aqui. Voltei para o quarto, peguei a garrafa de vinho, a primeira, e me lembrei porque se compra vinho de caixinha quando não se tem abridor. Herculeamente, com a ajuda de uma tesourinha de unha/pentelho/barba e de uma caneta esferográfica consegui abrir a garrafa, não sem muito vinho esparramar pelos meus aposentos. Voltei embalsamado em vinho para o refeitório e com o sorriso largo pela conquista garrafal, portando meu troféu numa mão e um escudo contra os olhares inquisidores na outra. Lá jazia minha refeição, já fria, já sem gosto, já sem vida. Mas quem se importava? A cada garfada eu sorvia um gole do doce suco de uva fermentado e a cada segundo o mundo parecia brilhar mais e mais. Sozinho, bebendo, com pessoas jovens e joviais ao fundo eu deveria me sentir desprezível, um rato, mas tal qual Colombo em sua caravela, eu me sentia prestes a descobrir um novo mundo.
Saí do refeitório e me dirigi calmamente ao estacionamento para o consumo tabagista, ainda carregando comigo pouco menos de meia garrafa de vinho. Algo entre a primeira tragada e o terceiro gole de vinho saem duas pessoas para fumar também. Finalmente eu conseguia atrair presas para o meu ambiente de maior desenvoltura social. Ao que conversamos, tratava-se de um casal de nordestinos que viera a Madrid fazer um curso de 3 meses. Conversas sobre imigração, clima e preço dos cigarros deram o tom da conversa até que chega para unir-se a nós o ser humano mais bizarro que já saiu do ventre de uma mulher. Páris era seu nome. O cara nasceu nas Ilhas Canárias, morou no Brasil, na Espanha, na França e na Grécia ao que explico: o pai dele é embaixador brasileiro, casado com uma espanhola. O cidadão, visivelmente embriagado, começa a contar histórias taxísticas sobre a sua juventude, a vez que Paul MacCartney jantou em sua casa, a grande freqüência de visitas que Vinícius e Tom faziam ao seu lar em sua época de infância e o fato do seu padrinho ser o Chico Buarque. Bom, obviamente desse cara só poderiam vir as melhores histórias e eu e os nordestinos nos calamos a escutar por exceção de algumas intervenções que o álcool no meu sangue conduzia. Aí eu me enchi o saco e, já ébrio, disse: quero um violão. Opah! Tinha um cara na área de convivência tocando, ao que eu disse: deixa eu ver? O Cainelli vai gostar dessa. O cara arranhava 6 ou 7 acordes que o permitiam tocar Legião Urbana e Raul Seixas numa boa e no que ele "deixa eu ver" o violão eu faço alguma coisa que não me lembro agora que fez as gurias presentes dizerem um sonoro óóóóóóóóóó. Realmente a bebida é uma boa amiga da música e sem conseguir enxergar as cordas eu fiz acordes por puro instinto e malícia, fui dominado por um espírito do blues e toquei coisas que eu jamais tocara antes. A roda anteriormente restrita a 4 pessoas agora pulsava como um estádio em chamas, me levando ao suor e à emoção plena. Rasguei meu dedo, mas valeu a pena.
Finalmente, quando bebia mais vinho, fomos todos vaiados pelo segurança do local que nos enxotou para os quartos (ou era isso ou era ficar em silêncio e sem fumar, ahpáputaquepariu). Chego em minha habitação e meu computador estava ligado, OPAH. Diversas janelas do msn em cor alaranjada em minha tela. Vou descartando-as conforme vejo que seus respectivos donos não mais online estão até que chego à última. A janela da Tara. Contextualizo. No Chile eu fiz um grande amigo chamado Graham Fisher, que era um americano de Wash DC e uma pessoa da mais boa índole, fã de guns and roses, álcool e putaria. Agora que eu vim pra Madrid ele disse que vai vir aqui me visitar em julho do ano que vem, nas minhas férias, para fazermos noites violentas e mudarmos o destino do continente europeu pra pior. Essa Tara é amiga dele e professora de espanhol e se mostrou entusiasmada de vir também, ao que ele enviou fotos minhas pra ela, ela me adicionou no msn e no facebook e estamos nos falando há uns 4 dias. Bom, TECLO com ela por cerca de meia hora, errando absolutamente todas as palavras em um esforço inútil de escrever corretamente quando bêbado e falo umas bobagens pra ela ao que ela declara que está interessada em mim e que gostaria de vir antes pra Espanha pra poder acabar com sua frustração sexual....
Sem nada mais a dizer......
Não é uma grande história, mas é um belo começo para jornadas européias de uma vida que ainda tem muito rock and roll pela frente.
Fui dormir com um sorriso no rosto e a agridoce sensação de ter que admitir que o Pyw sempre tem razão.
Friday, October 10, 2008
Desamar
Inspirado por um belo poema que minha admirável irmã me enviou por e-mail....
Mudam as estações
assim como o dia vira noite
e o calor de uma paixão
o conforto de um amor
vira inverno
E tudo fica frio e se esvai
Desaparece sob a neve
e nenhum abrigo é a nossa casa
nada nos pertence
O que um dia construi
um plano, uma idéia
agora só destrói
e se vai ao ralo
com a chuva que nunca pára de cair
O que um dia foi sol
que foi cálido
Hoje é lua
linda
e fria
E como voltar a florescer?
quando a estação não muda jamais
fica sempre, para sempre
um resto de inverno dentro de nós
Como semear
quando há toda uma vida
todo um amor
para se esquecer?
E tudo que se descobre
é que o esquecimento
não há
é sempre uma lembrança
quando não mais
Mudam as estações
assim como o dia vira noite
e o calor de uma paixão
o conforto de um amor
vira inverno
E tudo fica frio e se esvai
Desaparece sob a neve
e nenhum abrigo é a nossa casa
nada nos pertence
O que um dia construi
um plano, uma idéia
agora só destrói
e se vai ao ralo
com a chuva que nunca pára de cair
O que um dia foi sol
que foi cálido
Hoje é lua
linda
e fria
E como voltar a florescer?
quando a estação não muda jamais
fica sempre, para sempre
um resto de inverno dentro de nós
Como semear
quando há toda uma vida
todo um amor
para se esquecer?
E tudo que se descobre
é que o esquecimento
não há
é sempre uma lembrança
quando não mais
Thursday, October 9, 2008
Museo del Prado
Mesmo contra todos meus princípios eu fui. Não tinha absolutamente nada para fazer e o tédio corroía minhas unhas usando meus dentes como instrumento.
"A única vez que errei foi quando pensei estar errado" é uma citação televisiva com bastante aplicação neste caso. Vejamos por que.
Cheguei no museu às 17:30. A partir das 18h era de graça, então abri meu livro, sentei encostado numa parede do "ó, grandioso museu" e fiquei lendo sobre as vicissitudes de Harry Haller. Às 18 fui recolher meu ingresso grátis para a alegria. Teria apenas duas horas para visitar o segundo maior acervo artístico do mundo. Fiquei 1h e 10min e era isso. Vi tudo, ou quase tudo. Não sei, é tudo igual. Acho até meio criminoso cobrar por aquilo. E não acho que esteja sozinho nessa, a grande maioria das pessoas ali presentes parecia prestar até menos atenção que eu às obras.
Nada, absolutamente NADA ali me agregou alguma coisa à vida. Claro que eu não é assim que eu vou contar a história pras futuras gerações. Vou dizer que estive no MAGNÂNIMO MUSEO DEL PRADO e que cada centímetro de lá me encheu de cultura e conhecimento.
Fala sério, prefiro o Margs. Pelo menos é pequeno.
"A única vez que errei foi quando pensei estar errado" é uma citação televisiva com bastante aplicação neste caso. Vejamos por que.
Cheguei no museu às 17:30. A partir das 18h era de graça, então abri meu livro, sentei encostado numa parede do "ó, grandioso museu" e fiquei lendo sobre as vicissitudes de Harry Haller. Às 18 fui recolher meu ingresso grátis para a alegria. Teria apenas duas horas para visitar o segundo maior acervo artístico do mundo. Fiquei 1h e 10min e era isso. Vi tudo, ou quase tudo. Não sei, é tudo igual. Acho até meio criminoso cobrar por aquilo. E não acho que esteja sozinho nessa, a grande maioria das pessoas ali presentes parecia prestar até menos atenção que eu às obras.
Nada, absolutamente NADA ali me agregou alguma coisa à vida. Claro que eu não é assim que eu vou contar a história pras futuras gerações. Vou dizer que estive no MAGNÂNIMO MUSEO DEL PRADO e que cada centímetro de lá me encheu de cultura e conhecimento.
Fala sério, prefiro o Margs. Pelo menos é pequeno.
Chuveiros
O mistério da imundície européia começa a se revelar. Eu também me sinto deveras tentando a não me banhar com as estruturas banhísticas que são disponíveis neste país.
Mas nada comparado ao meu quarto. Não, tinha que ser comigo. NÃO TEM CHUVEIRO. Sério, não tem. Tem um chuveirinho que tem que ficar segurando no MENOR BOX do mundo e que, não importa o que você faça, irá ensopar todo o chão do banheiro.
Pelo menos a água é quente e estou aprendendo um novo ofício: o de malabarista.
Nunca pensei que manusear shampoo e sabonete com uma só mão disponível fosse tarefa tão árdua. Sério, manetas são HERÓIS.
Mas nada comparado ao meu quarto. Não, tinha que ser comigo. NÃO TEM CHUVEIRO. Sério, não tem. Tem um chuveirinho que tem que ficar segurando no MENOR BOX do mundo e que, não importa o que você faça, irá ensopar todo o chão do banheiro.
Pelo menos a água é quente e estou aprendendo um novo ofício: o de malabarista.
Nunca pensei que manusear shampoo e sabonete com uma só mão disponível fosse tarefa tão árdua. Sério, manetas são HERÓIS.
Wednesday, October 8, 2008
What is Life?
What is Life? O que é vida? Qué es la vida?
Não pretendo exercer nenhum desenvolvimento teórico da ordem da obra de mesmo título deste post elaborada pelo Sr. Erwin Schrödinger, a qual deu origem às pesquisas que culminaram pelo estabelecimento até hoje utilizado da estrutura do DNA. Não, minha idéia é simplesmente descrever em situações como eu vejo a vida, em fatos generalistas que construíram minha pessoa e devem estar relacionados com as perspectivas de muitas outras pessoas. Trabalharei com uma estrutura mais próxima do verso que da prosa, propiciando assim uma espécie de apresentação em tópicas, de forma que:
O que é a vida?
A vida é nascer
aprender
criar expectativas
se decepcionar
se livrar das expectativas
ser surpreendido
criar novas expectativas
se esborrachar em uma parede de cimento figurativa com as novas expectativas
se livrar delas de novo
em um ciclo sem fim
A vida é, a princípio, ser amado
aprender a amar
amar
ser miseravelmente esmagado pela dor de um amor perdido
decidir viver sem o amor
encontrá-lo novamente em algum lugar
e perdê-lo novamente
ser amado e não amar de volta
partir corações e ter o seu partido
é amar de forma controlada
e de forma louca
é perder todo o senso de qualquer coisa por uma pessoa
é atravessar o mundo para ouvi um "eu também te amo"
e ter apenas o silêncio como resposta
esquecer o que o amor significa
e em qualquer esquina encontrar um novo significado
amar é ter esperança
é perder a esperança
amar é viver
Viver é esperar muito de onde nada vem
e virar as costas para o lugar de onde tudo vem
ser surpreendido a cada instante
é fazer planos
e vê-los serem arrasadoramente destruídos
e surgirem novas situações
inesperadas
que mudam tudo
A vida é mudança
nós somos estáticos (ou quase isso)
A vida é um emaranhado de complicações e coisas sem explicação
A vida é um dia, um instante
o resto é uma viagem pelo tempo
A vida é esperar que o tempo resolva tudo
esperar
esperar
esperar
e aí se dar conta de que são atitudes que mudam as coisas
é não saber como agir para mudar tudo
é não ter forças
é tentar
é não entender
é se sentir desprezado um instante após se sentir dono do universo
é chegar
é sair
é voltar
É não saber quando acaba
é não saber acabar
é não saber esquecer
e, de repente, acabar, esquecer e fim.
Não pretendo exercer nenhum desenvolvimento teórico da ordem da obra de mesmo título deste post elaborada pelo Sr. Erwin Schrödinger, a qual deu origem às pesquisas que culminaram pelo estabelecimento até hoje utilizado da estrutura do DNA. Não, minha idéia é simplesmente descrever em situações como eu vejo a vida, em fatos generalistas que construíram minha pessoa e devem estar relacionados com as perspectivas de muitas outras pessoas. Trabalharei com uma estrutura mais próxima do verso que da prosa, propiciando assim uma espécie de apresentação em tópicas, de forma que:
O que é a vida?
A vida é nascer
aprender
criar expectativas
se decepcionar
se livrar das expectativas
ser surpreendido
criar novas expectativas
se esborrachar em uma parede de cimento figurativa com as novas expectativas
se livrar delas de novo
em um ciclo sem fim
A vida é, a princípio, ser amado
aprender a amar
amar
ser miseravelmente esmagado pela dor de um amor perdido
decidir viver sem o amor
encontrá-lo novamente em algum lugar
e perdê-lo novamente
ser amado e não amar de volta
partir corações e ter o seu partido
é amar de forma controlada
e de forma louca
é perder todo o senso de qualquer coisa por uma pessoa
é atravessar o mundo para ouvi um "eu também te amo"
e ter apenas o silêncio como resposta
esquecer o que o amor significa
e em qualquer esquina encontrar um novo significado
amar é ter esperança
é perder a esperança
amar é viver
Viver é esperar muito de onde nada vem
e virar as costas para o lugar de onde tudo vem
ser surpreendido a cada instante
é fazer planos
e vê-los serem arrasadoramente destruídos
e surgirem novas situações
inesperadas
que mudam tudo
A vida é mudança
nós somos estáticos (ou quase isso)
A vida é um emaranhado de complicações e coisas sem explicação
A vida é um dia, um instante
o resto é uma viagem pelo tempo
A vida é esperar que o tempo resolva tudo
esperar
esperar
esperar
e aí se dar conta de que são atitudes que mudam as coisas
é não saber como agir para mudar tudo
é não ter forças
é tentar
é não entender
é se sentir desprezado um instante após se sentir dono do universo
é chegar
é sair
é voltar
É não saber quando acaba
é não saber acabar
é não saber esquecer
e, de repente, acabar, esquecer e fim.
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