Eu não anseio pelo amor. Eu já nem sei o que ele é ou se ele existe. O que eu sei é que eu tenho uma jaqueta muito bacana e um total descompromisso com o meu futuro emocional. Não que isso seja alentador de alguma forma, mas me dá uma falta de perspectivas que de uma infinita série de formas me agrada bastante.
Talvez as pessoas levem a paixão a sério demais e não entendam este sentimento apenas como uma forma de atração instantânea e desejo premente de realizar o tal de ato sexual do qual tanto sinto falta.
Existem paixões e paixões. Minha paixão pela Esti (a garçonete lésbica lá), por exemplo, nada tem de sério ou de interesse mais profundo do que uma aventura amorosa de curta duração. É claro que nem ela e nenhuma outra mulher seria capaz de partir meu coração nowadays, simplesmente porque já foi tudo destroçado e não há mais algo que sobreviva para ser morto.
Mas eu estou bem, estou numa boa como há muito tempo não me sentia. Eu vejo uma névoa no meu horizonte e isso volta a me agradar como há muito tempo não me agradava. Mas tudo bem, foda-se, vamos aos fatos:
Na noite de ontem fui ao De Cine, bar que a guria essa trabalha. Fui porque tinha um crédito lá e cerveja "grátis" nunca vai me parecer uma opção descartável. A Esti me tratou como uma guriazinha atende o homem pela qual está apaixonada. Pediu que eu ligasse pra ela, me mostrou a língua diversas vezes e, por fim, me convidou para ir ao cinema na segunda. Ok, Fast Forward aí e pulamos para a noite do dia seguinte, o famoso agora há pouco. Ninguém queria sair nesta Casa do Car....digo, Brasil e o Páris, parceiro de qualquer evento tinha desaparecido como é o seu usual. Acabei depois da meia-noite convencendo meus amigos paraibanos de que uma cerveja em algum boteco poderia definitivamente salvar nossas almas da danação eterna. Andanças pelo bairro e acabamos voltando àqueles lugares outrora descritos como antros do rock and roll, da sujeira e dos maus costumes. No segundo bar que entramos, quem eu avisto à primeira instância? Sim, Esti e seus belos olhos de seja lá qual cor eles sejam. Vejo em seu rosto a surpresa e o sorriso da alegria que cabia a mim e que disfarcei com a baforada de um cigarro péssimo que havia comprado antes. Me dirijo a ela e aos seus 1,60m e encontro aquele sorriso gostoso e harmonioso que já havia me encantado, bem como a algumas mulheres por aí. Tento o beijo ao que sou bloqueado pelos dizeres "mi ex-novio está acá y no quiero hacer esto con él" e eu pergunto "che, díme, quien soy yo?" ela "tu eres el chico que me gusta".
Bah, né, fiquei todo faceiro e coisa e tal. Fiquei todo contente e de repente vejo um cara conversando com ela e tirando a camisa (eu nem uso caps lock mais porque nada me surpreende). De repente ele começa a colocar a camisa de volta, mas não era uma camisa, era a blusa DELA. DELA. DELA. Sim, e ela saiu com a camisa dele. Ao menos ele não beijou ela e nem nada similar, mas a troca de roupas foi bizarra. BIZARRA, eu disse. Em que país eu fui parar? Cadê o Pyw numa hora dessas? Até quando ficarei sem sexo? Por que as batatas fritas aqui são tão boas?
Perguntas e mais perguntas, até quando elas ecoarão pelos corredores da minha mente?
Saturday, October 25, 2008
Tuesday, October 21, 2008
NUNCA se apaixone por uma basca (ou O conto da garçonete metaleira)
Então, assim, a garçonete basca da costanilla de los desamparados. Me apaixonei, muito linda, belo gosto musical e uma ternura suprema. Assim, claro, PENSAVA EU, O IDIOTA.
Combinamos de sair hoje, meio que de galera, nada 1 a 1. Acontece que a mina é do rock. Não como eu ou você, mas dos antros mais imundos do velho continente.
Ah, sim, contextualizo. Ontem à noite, meu amigo Páris foi no bar que ela trabalha e contou sobre toda minha paixão e desejo, ao que ela se mostrou muito contente e empolgada.
Buenas, pensei eu, É HOJE. Bom, e de fato foi. Ela nos levou primeiro ao bar mais chulé que eu vi na minha vida e me fez jogar pebolim com umas minas completamente insanas (uma delas usava algemas). Me fez jogar Master num fliperama bizarro e tomar um trago violento de tequila. Aí saímos pra rua, eu e ela, e eu me declarei como os bons poetas da bossa nova, ao que nos beijamos e ela disse: soy tímida, vamos poco a poco. Ah, estava chovendo e eu sugeri como isso era romântico.
POCO A POCO É O CARALHO. Como eu tô numa fase tranqüila, nem fiquei dando muita bola pra ela e mudamos de bar quando o primeiro fechou. Na saída do segundo (um pouco menos escroto que o primeiro), ela desaparece. Foda-se, penso eu, e convido Páris para um lanche e no caminho vou escrevendo uma mensagem para a basca no que ela me liga e diz que vai nos buscar pra levar pro terceiro bar.
Terceiro bar ooooooooooooooooooooooooooooou OH MY GOD, WHAT WILL HAPPEN NEXT? No maldito terceiro bar ela tem uma crise depressiva e é consolada por algum amigo imbecil. Ah, fala sério, imbecil sou eu. Depois da crise de 10 minutos eu olho de novo e ela está SE GRUDANDO VIOLENTAMENTE COM UMA GURIA. So much for her timidez. Ela vai pro BANHEIRO COM A GURIA (que aliás tinha um namorado que ficou bastante desgostoso com a situação enquanto eu ria da minha própria desgraça) e fica lá uns 20 minutos.
Eu nem lembro o que aconteceu depois. Sei que agora são 20 pras 6 da manhã e minha vida é uma catástrofe total. E isso, sério, é muito engraçado.
Combinamos de sair hoje, meio que de galera, nada 1 a 1. Acontece que a mina é do rock. Não como eu ou você, mas dos antros mais imundos do velho continente.
Ah, sim, contextualizo. Ontem à noite, meu amigo Páris foi no bar que ela trabalha e contou sobre toda minha paixão e desejo, ao que ela se mostrou muito contente e empolgada.
Buenas, pensei eu, É HOJE. Bom, e de fato foi. Ela nos levou primeiro ao bar mais chulé que eu vi na minha vida e me fez jogar pebolim com umas minas completamente insanas (uma delas usava algemas). Me fez jogar Master num fliperama bizarro e tomar um trago violento de tequila. Aí saímos pra rua, eu e ela, e eu me declarei como os bons poetas da bossa nova, ao que nos beijamos e ela disse: soy tímida, vamos poco a poco. Ah, estava chovendo e eu sugeri como isso era romântico.
POCO A POCO É O CARALHO. Como eu tô numa fase tranqüila, nem fiquei dando muita bola pra ela e mudamos de bar quando o primeiro fechou. Na saída do segundo (um pouco menos escroto que o primeiro), ela desaparece. Foda-se, penso eu, e convido Páris para um lanche e no caminho vou escrevendo uma mensagem para a basca no que ela me liga e diz que vai nos buscar pra levar pro terceiro bar.
Terceiro bar ooooooooooooooooooooooooooooou OH MY GOD, WHAT WILL HAPPEN NEXT? No maldito terceiro bar ela tem uma crise depressiva e é consolada por algum amigo imbecil. Ah, fala sério, imbecil sou eu. Depois da crise de 10 minutos eu olho de novo e ela está SE GRUDANDO VIOLENTAMENTE COM UMA GURIA. So much for her timidez. Ela vai pro BANHEIRO COM A GURIA (que aliás tinha um namorado que ficou bastante desgostoso com a situação enquanto eu ria da minha própria desgraça) e fica lá uns 20 minutos.
Eu nem lembro o que aconteceu depois. Sei que agora são 20 pras 6 da manhã e minha vida é uma catástrofe total. E isso, sério, é muito engraçado.
Monday, October 20, 2008
Tópicos Madrileños
- A polícia está em todo lugar aqui.
- Tem batedor de carteira em todo lugar aqui.
- Não tem postos de gasolina em nenhum lugar aqui.
- Espanhóis respeitam mesmo a faixa de pedestres.
- Povo mais hostil em uma conversação: espanhóis.
- Aqui as pessoas gostam de andar com cuecas e calcinhas à mostra (so much for the european class)
- Aqui também tem bafômetro.
- Bares fecham às 2, antros às 8.
- Pessoas bebem no parque antes de irem a festas.
- Pessoas sujam pra caralho os parques depois de beberem.
- No outro dia tá tudo limpinho.
- Bolivianos são lixeiros de parques.
- Ninguém gosta de brasileiros, eles só nos acham engraçadinhos.
- Tem batedor de carteira em todo lugar aqui.
- Não tem postos de gasolina em nenhum lugar aqui.
- Espanhóis respeitam mesmo a faixa de pedestres.
- Povo mais hostil em uma conversação: espanhóis.
- Aqui as pessoas gostam de andar com cuecas e calcinhas à mostra (so much for the european class)
- Aqui também tem bafômetro.
- Bares fecham às 2, antros às 8.
- Pessoas bebem no parque antes de irem a festas.
- Pessoas sujam pra caralho os parques depois de beberem.
- No outro dia tá tudo limpinho.
- Bolivianos são lixeiros de parques.
- Ninguém gosta de brasileiros, eles só nos acham engraçadinhos.
Amarga crueldade
Buenas, uma semana atrás eu tomei a decisão de excluir uma pessoa da minha vida. Talvez a pessoa que eu menos quisesse excluir, mas, definitivamente, a que eu mais precisava em função do que eu sentia.
E consegui. Difícil, mas, como me disse um grande amigo "se começa a apreciar coisas simples da vida". Pode parecer clichê, mas faz todo o sentido. Na situação que estávamos, ela me fazia um mal terrível.
E não é que ela me liga hoje? Perguntando como eu estou e com a mesma voz cantarolante de sempre. Pergunto se ela não leu meu e-mail dizendo que eu havia decidido esquecê-la pra valer. Ela responde com descaso e diz que eu sempre escrevo coisas e depois volto atrás. Pois bem, "não desta vez", digo eu. Seco. Duro como uma rocha. Desmoronando por dentro como um castelinho de areia levado pela maré. "Adeus" é a palavra que escolho.
É muito passado pra se esquecer. Já me disseram inúmeras vezes que "nunca se sabe", que "tudo pode acontecer" e que "o destino a Deus pertence". Não, EU SEI, NADA VAI ACONTECER e isso porque em grande parte o MEU DESTINO A MIM PERTENCE. E por mais que me doa agora, é uma coisa que eu devo e vou passar por cima. Vai me render uma tatuagem na certa.
O resto não há. Há uma ponta de sofrimento, de dor, mas uma dose cavalar de respeito próprio e dignidade.
E consegui. Difícil, mas, como me disse um grande amigo "se começa a apreciar coisas simples da vida". Pode parecer clichê, mas faz todo o sentido. Na situação que estávamos, ela me fazia um mal terrível.
E não é que ela me liga hoje? Perguntando como eu estou e com a mesma voz cantarolante de sempre. Pergunto se ela não leu meu e-mail dizendo que eu havia decidido esquecê-la pra valer. Ela responde com descaso e diz que eu sempre escrevo coisas e depois volto atrás. Pois bem, "não desta vez", digo eu. Seco. Duro como uma rocha. Desmoronando por dentro como um castelinho de areia levado pela maré. "Adeus" é a palavra que escolho.
É muito passado pra se esquecer. Já me disseram inúmeras vezes que "nunca se sabe", que "tudo pode acontecer" e que "o destino a Deus pertence". Não, EU SEI, NADA VAI ACONTECER e isso porque em grande parte o MEU DESTINO A MIM PERTENCE. E por mais que me doa agora, é uma coisa que eu devo e vou passar por cima. Vai me render uma tatuagem na certa.
O resto não há. Há uma ponta de sofrimento, de dor, mas uma dose cavalar de respeito próprio e dignidade.
Tuesday, October 14, 2008
Preparados
Não sei porque me lembrei hoje sobre quando fui morar no Chile. Me recordo que minha mãe me deu um rolo de papel higiênico (fui de ônibus, 40 horas desde Porto Alegre) para que eu estivesse preparado para qualquer situação.
Eu nunca usei aquele papel higiênico. Mas se eu precisasse, lá ele estaria. Eu estaria plenamente preparado para qualquer imprevisto.
E qual a graça nisso? Que grandes histórias e experiências podem vir de uma pessoa precavida?
Talvez na vida nos tornemos prevenidos em excsso, conhecedores por experiência do que pode e do que não pode dar errado e levamos sempre um rolo de papel higiênico nas mãos, impedindo nosso destino de ser mais surpreendente, contundente e envolvente.
Aprendemos com a vida. Aprendemos a estar preparados. Devíamos aprender o oposto, deveríamos correr mais riscos e deixar o papel higiênico em casa.
Eu nunca usei aquele papel higiênico. Mas se eu precisasse, lá ele estaria. Eu estaria plenamente preparado para qualquer imprevisto.
E qual a graça nisso? Que grandes histórias e experiências podem vir de uma pessoa precavida?
Talvez na vida nos tornemos prevenidos em excsso, conhecedores por experiência do que pode e do que não pode dar errado e levamos sempre um rolo de papel higiênico nas mãos, impedindo nosso destino de ser mais surpreendente, contundente e envolvente.
Aprendemos com a vida. Aprendemos a estar preparados. Devíamos aprender o oposto, deveríamos correr mais riscos e deixar o papel higiênico em casa.
Monday, October 13, 2008
Costanilla de los Desamparados
Domingo, 12 de Outubro de 2008. Definitivamente um dia que merece um capítulo inteiro em minha biografia. Ou, quem sabe, até dois. Recomendo a leitura atenciosa do longo mosaico de idéias que se estende porque minha vida nunca mais será a mesma.
Era o último dia do VivAmérica que é alguma coisa que eu não entendi. Mas tinha a tal de La Marcha com trio elétrico da Daniela Mercury, Orishas e eu só pude concluir: OPAH,FIESTA! Bom, convoquei um punhado de cavaleiros da diversão os quais eram:
Válcir e Regina: casal do Nordeste que estão aqui por conta de um curso que ela está fazendo.
Elisa: Senhorita simpática e casada que está aqui realiando seu doutorado sanduíche em biologia.
Páris: O afilhado do Chico Buarque, cara extremamente culto e um legítimo caçador de boas histórias.
Se o Grêmio é capaz de liderar o Brasileirão com aquele time, eu tive certeza que ese escrete era plenamente apto a lutar pelas boas histórias e redenção da alma.
E nos fomos. Decepção geral quando a tal marcha se inicia como um desfile organizado e respeitado pelo público que não mais fazia do que olhar e aplaudir. Participação não é com esses espanhóis. Enquanto El Salvador contagiava e empolgava um bando de 5 velhinhas com bandeirolas e chapéu, decidimos ir à procura de um bar.
Extremamente difícil encontrar algum lugar para se desfrutar de um belo chope no domingo com parada e tudo, mas conseguimos e encontramos. Um chope, ok, beleza, lugarzinho mais ou menos e nos mandamos. No caminho de volta a La Marcha (realmente acreditávamos que poderia ficar melhor) paramos em um outro bar ainda menos simpático que o anterior mas com preços convidativos (além do que a ausência de ambulantes no desfile tornava o acesso a qualquer coisa uma impossibilidade nas imediações do furdunço). E lá vinha ela, a chata e esganiçada Daniela Mercury com músicas dos princípios da década de 1990 e um discurso sobre a necessidade dos europeus reduzirem subsídios para as importações de produtos brasileiros (quem leva o Brasil a sério só pode ser idiota). Atrás e na frente do trio elétrico a alegria e malícia do povo brasileiro encantavam a todos e desta vez conseguimos nos infiltrar na massa. Mais um erro que cometi na vida: o que durante dez minutos significou samba no pé e gingado gaúcho contaminando a avenida logo se tornou em um amontoamento de baianos se empurrando, se debatendo e o pisoteamento seria meu destino inevitável se não tivesse conseguido escapar pela tangente com meus fiéis escudeiros.
Passou o maldito trio elétrico do inferno e, quando já se aproximava o desfile do Uruguay com suas duas bandeiras e 17 pessoas, voltamos à avenida, agora já com mais calma, espaço para se mexer e pura tranquilidade. Rá, se antes tivera meu corpo esmagado por milhares de pessoas, agora estava prestes a ter meu coração pisoteado, destruído e humilhado. Afinal, quem surge ali, no meio da massa, no meio de 700 mil pessoas que participavam do evento? Não ao longe, mas ALI, a 3 metros de mim. Ela. Não somente ela, ELA. A mulher por quem cruzei o oceano, para quem entreguei meu coração e que me rechaçou como o rato imundo que eu devo ser. ELA está de costas, a puxo pelo braço e a cumprimento. Vejo seu rosto empalidecer ao instante ao passo que meu coração dispara como se minha alma de repente tivesse decidido correr os 100m rasos da vida. Me afasto após o olá nervoso e repleto de outras expressões não-ditas. Meus camaradinhas me consolam ao que Válcir diz:
- Olha lá, ela está te procurando.
E estava, me buscava com os olhos, não com o coração como eu gostaria. Tal qual um colegial em seu primeiro baile me encho de coragem para ir falar com ela, como se não a conhecesse, com o medo daqueles que desafiam o destino de braços abertos e expõem seus sentimentos à possibilidade de serem inteiramente destroçados. A convido para conhecer meus amigos, o que ela aceita de bom grado e os saúda com a simpatia que lhe é peculiar. A pergunto se pode conversar por um breve momento e ela aceita, diálogo o qual reproduzo:
- Tudo bem?
- Tudo.
Ok, terminam aí os intróitos, não estava afim de uma conversa supérflua e banal.
- Faz uma semana que a gente não se fala, como tu te sentes?
- Bem, tô feliz.
- Ficaste melhor comigo fora da sua vida, então...
- Ai, Bruno...eu estava tendo uma série de sentimentos antigos quando eu estava te vendo...
- Sentimentos bons?
- Não, sentimentos ruins, eu estava me sentindo nervosa, presa...
- Tudo isso ou foi apenas aquele e-mail que você leu (trocas de carinho e juras de amor com uma menina muito especial na minha vida)...
- É...isso...outras coisas também...
- E você ainda me ama?
- Eu...eu acho que não...
- Então provavelmente essa é a última vez que nos vemos...Tu me queres fora da sua vida?
- Não, não sei. Eu esperava que pudéssemos ser amigos...
- Eu não posso ser seu amigo. Não agora e talvez nunca.
- Então talvez seja melhor a gente se afastar.
- É...(aqui, neste exato momento, quem estivesse por perto poderia ver claramente meu coração ser arrancado do meu peito, jogado no asfalto e ter uma turba de baianos sambando em cima dele)
- Olha, eu vou voltar pras minhas amigas...
- Ok...
Um beijo na bochecha, um abraço e ela se foi. E com ela toda minha alegria de viver naquele momento. Meus ombros despencaram, minha respiração falhou e ao som das colocações de apoio (ou seria pena?) dos meus companheiros decidimos abandonar o evento e irmos a um bar. Sentamos em uma praça e em meio a lamúrios e tentativas de resgatar minha dignidade e amor-próprio tomamos uma Urquell, ao que ficamos somente eu e Páris, tendo Elisa, Regina e Válcir nos deixado à própria sorte, visto que tinham compromissos pela manhã de segunda-feira. Ficamos então discutindo sobre corações partidos, mulheres e como sofrer por amor pode ser uma coisa construtiva para o caráter de homem. Partimos dali, entonces, para buscar o passaporte dele, uma barra de chocolate e uma quantia substancial de dinheiro. De lá fomos a la Plaza Mayor e desfrutamos de uma cerveja belga em um boteco que estava prestes a fechar ao que eu contava minha vida de forma não resumida. Bar fechado, ok, nos dirigimos para um ao lado. Uma cerveja, ok, bar fechado também. Isso devia ser próximo da 1h da manhã. Saímos caminhando sem absolutamente nenhum destino, nenhum objetivo relegando ao acaso o destino de nossas vidas naquela principiante madrugada de segunda-feira.
E aí o inesperado acontece. O surpreendente. O Universo conspirando por algo que ainda não consigo entender. Um magrão nos aborda numa rua e nos sugere uma ida ao seu bar, oferecendo o preço da cerveja e com uma dificuldade incrível de explicar o tamanho do copo. Demos um "ok" plenamente descrente mas fomos e entramos NO MELHOR BAR DE MADRID. Era pequeno e não tinha ninguém fora um casal de bêbados, um casal de bolivianos, um cara sozinho num canto do balcão e 3 metaleiros discutindo sobre desafios de matemática. Mas a música. Ah, o doce rock and roll como eu não ouvira e não haverei de ouvir em nenhum outro local desta cidade. Uma seleção de músicas não como as do Renan (que eu não conheço nenhuma), mas músicas que eu conhecia, gostava e representavam perfeitamente o meu estado de espírito. Creep, Crazy, Dream On, Fear of the Dark, That Thing You Do e outras. Quem seria responsável por esta tortura alentadora? Ela. Eu não sei seu nome, mas gosto de pensar que é Esperança. A bartender do local de sorriso fácil e papo amigável, linda como o arco-íris após a tormenta. O bar fecha, ao que ela se dirige a mim, me abraça e me beija na bochecha. Ó incrível dualidade! Como pode o mesmo ato repetido representar em um período tão curto a dor e a redenção? Peço um cartão do local e aí está. O título deste e-mail descreve a localidade do botequim. COSTANILLA DE LOS DESAMPARADOS. Tradução desnecessária, creio. Rio, rio com vontade da gigantesca piada que se fez da minha vida e da coincidência providencial.
Me ergo. Ergue-se meu espírito e nada mais pode me parar. Eu não deixei meu amor quando ELA se foi, mas eu acredito que, seja o que for, algo melhor é possível e está por vir.
No retorno ao lar ainda paramos em um bar por 1 minuto que foi o tempo que precisamos para perceber que se tratava de um clube gay e em um boteco de taxistas no qual tivemos exaltada conversa sobre futebol sulamericano com um garçom equatoriano e outro argentino (que ficou puto por eu ter perguntado se ele era de la hincha de Boca).
Enfim o retorno. A dor permanece mas já não me consome. O sorriso durante o sono desaparece, mas é substituído por um ar de tranquilidade, calma e completa desistência de controlar algo que seja na minha vida pelos próximos dias. Deixa acontecer.
Era o último dia do VivAmérica que é alguma coisa que eu não entendi. Mas tinha a tal de La Marcha com trio elétrico da Daniela Mercury, Orishas e eu só pude concluir: OPAH,FIESTA! Bom, convoquei um punhado de cavaleiros da diversão os quais eram:
Válcir e Regina: casal do Nordeste que estão aqui por conta de um curso que ela está fazendo.
Elisa: Senhorita simpática e casada que está aqui realiando seu doutorado sanduíche em biologia.
Páris: O afilhado do Chico Buarque, cara extremamente culto e um legítimo caçador de boas histórias.
Se o Grêmio é capaz de liderar o Brasileirão com aquele time, eu tive certeza que ese escrete era plenamente apto a lutar pelas boas histórias e redenção da alma.
E nos fomos. Decepção geral quando a tal marcha se inicia como um desfile organizado e respeitado pelo público que não mais fazia do que olhar e aplaudir. Participação não é com esses espanhóis. Enquanto El Salvador contagiava e empolgava um bando de 5 velhinhas com bandeirolas e chapéu, decidimos ir à procura de um bar.
Extremamente difícil encontrar algum lugar para se desfrutar de um belo chope no domingo com parada e tudo, mas conseguimos e encontramos. Um chope, ok, beleza, lugarzinho mais ou menos e nos mandamos. No caminho de volta a La Marcha (realmente acreditávamos que poderia ficar melhor) paramos em um outro bar ainda menos simpático que o anterior mas com preços convidativos (além do que a ausência de ambulantes no desfile tornava o acesso a qualquer coisa uma impossibilidade nas imediações do furdunço). E lá vinha ela, a chata e esganiçada Daniela Mercury com músicas dos princípios da década de 1990 e um discurso sobre a necessidade dos europeus reduzirem subsídios para as importações de produtos brasileiros (quem leva o Brasil a sério só pode ser idiota). Atrás e na frente do trio elétrico a alegria e malícia do povo brasileiro encantavam a todos e desta vez conseguimos nos infiltrar na massa. Mais um erro que cometi na vida: o que durante dez minutos significou samba no pé e gingado gaúcho contaminando a avenida logo se tornou em um amontoamento de baianos se empurrando, se debatendo e o pisoteamento seria meu destino inevitável se não tivesse conseguido escapar pela tangente com meus fiéis escudeiros.
Passou o maldito trio elétrico do inferno e, quando já se aproximava o desfile do Uruguay com suas duas bandeiras e 17 pessoas, voltamos à avenida, agora já com mais calma, espaço para se mexer e pura tranquilidade. Rá, se antes tivera meu corpo esmagado por milhares de pessoas, agora estava prestes a ter meu coração pisoteado, destruído e humilhado. Afinal, quem surge ali, no meio da massa, no meio de 700 mil pessoas que participavam do evento? Não ao longe, mas ALI, a 3 metros de mim. Ela. Não somente ela, ELA. A mulher por quem cruzei o oceano, para quem entreguei meu coração e que me rechaçou como o rato imundo que eu devo ser. ELA está de costas, a puxo pelo braço e a cumprimento. Vejo seu rosto empalidecer ao instante ao passo que meu coração dispara como se minha alma de repente tivesse decidido correr os 100m rasos da vida. Me afasto após o olá nervoso e repleto de outras expressões não-ditas. Meus camaradinhas me consolam ao que Válcir diz:
- Olha lá, ela está te procurando.
E estava, me buscava com os olhos, não com o coração como eu gostaria. Tal qual um colegial em seu primeiro baile me encho de coragem para ir falar com ela, como se não a conhecesse, com o medo daqueles que desafiam o destino de braços abertos e expõem seus sentimentos à possibilidade de serem inteiramente destroçados. A convido para conhecer meus amigos, o que ela aceita de bom grado e os saúda com a simpatia que lhe é peculiar. A pergunto se pode conversar por um breve momento e ela aceita, diálogo o qual reproduzo:
- Tudo bem?
- Tudo.
Ok, terminam aí os intróitos, não estava afim de uma conversa supérflua e banal.
- Faz uma semana que a gente não se fala, como tu te sentes?
- Bem, tô feliz.
- Ficaste melhor comigo fora da sua vida, então...
- Ai, Bruno...eu estava tendo uma série de sentimentos antigos quando eu estava te vendo...
- Sentimentos bons?
- Não, sentimentos ruins, eu estava me sentindo nervosa, presa...
- Tudo isso ou foi apenas aquele e-mail que você leu (trocas de carinho e juras de amor com uma menina muito especial na minha vida)...
- É...isso...outras coisas também...
- E você ainda me ama?
- Eu...eu acho que não...
- Então provavelmente essa é a última vez que nos vemos...Tu me queres fora da sua vida?
- Não, não sei. Eu esperava que pudéssemos ser amigos...
- Eu não posso ser seu amigo. Não agora e talvez nunca.
- Então talvez seja melhor a gente se afastar.
- É...(aqui, neste exato momento, quem estivesse por perto poderia ver claramente meu coração ser arrancado do meu peito, jogado no asfalto e ter uma turba de baianos sambando em cima dele)
- Olha, eu vou voltar pras minhas amigas...
- Ok...
Um beijo na bochecha, um abraço e ela se foi. E com ela toda minha alegria de viver naquele momento. Meus ombros despencaram, minha respiração falhou e ao som das colocações de apoio (ou seria pena?) dos meus companheiros decidimos abandonar o evento e irmos a um bar. Sentamos em uma praça e em meio a lamúrios e tentativas de resgatar minha dignidade e amor-próprio tomamos uma Urquell, ao que ficamos somente eu e Páris, tendo Elisa, Regina e Válcir nos deixado à própria sorte, visto que tinham compromissos pela manhã de segunda-feira. Ficamos então discutindo sobre corações partidos, mulheres e como sofrer por amor pode ser uma coisa construtiva para o caráter de homem. Partimos dali, entonces, para buscar o passaporte dele, uma barra de chocolate e uma quantia substancial de dinheiro. De lá fomos a la Plaza Mayor e desfrutamos de uma cerveja belga em um boteco que estava prestes a fechar ao que eu contava minha vida de forma não resumida. Bar fechado, ok, nos dirigimos para um ao lado. Uma cerveja, ok, bar fechado também. Isso devia ser próximo da 1h da manhã. Saímos caminhando sem absolutamente nenhum destino, nenhum objetivo relegando ao acaso o destino de nossas vidas naquela principiante madrugada de segunda-feira.
E aí o inesperado acontece. O surpreendente. O Universo conspirando por algo que ainda não consigo entender. Um magrão nos aborda numa rua e nos sugere uma ida ao seu bar, oferecendo o preço da cerveja e com uma dificuldade incrível de explicar o tamanho do copo. Demos um "ok" plenamente descrente mas fomos e entramos NO MELHOR BAR DE MADRID. Era pequeno e não tinha ninguém fora um casal de bêbados, um casal de bolivianos, um cara sozinho num canto do balcão e 3 metaleiros discutindo sobre desafios de matemática. Mas a música. Ah, o doce rock and roll como eu não ouvira e não haverei de ouvir em nenhum outro local desta cidade. Uma seleção de músicas não como as do Renan (que eu não conheço nenhuma), mas músicas que eu conhecia, gostava e representavam perfeitamente o meu estado de espírito. Creep, Crazy, Dream On, Fear of the Dark, That Thing You Do e outras. Quem seria responsável por esta tortura alentadora? Ela. Eu não sei seu nome, mas gosto de pensar que é Esperança. A bartender do local de sorriso fácil e papo amigável, linda como o arco-íris após a tormenta. O bar fecha, ao que ela se dirige a mim, me abraça e me beija na bochecha. Ó incrível dualidade! Como pode o mesmo ato repetido representar em um período tão curto a dor e a redenção? Peço um cartão do local e aí está. O título deste e-mail descreve a localidade do botequim. COSTANILLA DE LOS DESAMPARADOS. Tradução desnecessária, creio. Rio, rio com vontade da gigantesca piada que se fez da minha vida e da coincidência providencial.
Me ergo. Ergue-se meu espírito e nada mais pode me parar. Eu não deixei meu amor quando ELA se foi, mas eu acredito que, seja o que for, algo melhor é possível e está por vir.
No retorno ao lar ainda paramos em um bar por 1 minuto que foi o tempo que precisamos para perceber que se tratava de um clube gay e em um boteco de taxistas no qual tivemos exaltada conversa sobre futebol sulamericano com um garçom equatoriano e outro argentino (que ficou puto por eu ter perguntado se ele era de la hincha de Boca).
Enfim o retorno. A dor permanece mas já não me consome. O sorriso durante o sono desaparece, mas é substituído por um ar de tranquilidade, calma e completa desistência de controlar algo que seja na minha vida pelos próximos dias. Deixa acontecer.
Esclarecimento
Tendo em vista uma série de reclamatórias e puxões de orelha eu me sinto obrigado a intervir com o seguinte statement:
Eu não estou virando alcóolatra, não estou me tornando dependente do álcool e nem sequer estou bebendo em Madrid quantidades de cerveja/vinho/whatever que justifiquem preocupação de qualquer parte.
Ok? Obrigado.
Eu não estou virando alcóolatra, não estou me tornando dependente do álcool e nem sequer estou bebendo em Madrid quantidades de cerveja/vinho/whatever que justifiquem preocupação de qualquer parte.
Ok? Obrigado.
Sunday, October 12, 2008
Um sábado devagar
Meu sábado foi bastante distante do que prometera a sexta-feira. Após uma caminhada matinal em busca de um lugar que vendesse cigarros (e matinal eu digo porque ainda estou no fuso brasileiro, aqui devia ser umas 14h) encontro o Páris (daqui pra diante me refiro a ele como afilhado do chico buarque, ou somente afilhado, ou somente chiquinho. É, chiquinho parece uma boa) e ele me convida pra ir com ele buscar um dinheiro com sua mãe e tal.
Após a missão cumprida pelo amigo Chiquinho, nos dirigimos a lugar nenhum procurando algum lugar que nos convidasse ao chope, ao que caminhamos meia-hora para encontrarmos um oásis no centro nublado de Madrid, uma plaza qualquer, sem nome até onde eu sei. Discutindo sobre Beatles, Led Zeppelin, literatura russa e fracassos em relacionamentos amorosos com mulheres, sorvemos uma respeitável quantidade de Urquell e às 20h decidimos voltar pra casa do Brasil para a preparação do que prometêramos ser a noite de nossas vidas.
Evidentemente após o chope, a janta e o clima fúnebre que se instalava na residência, decidi que precisava de meia-hora de sono e assim o fiz. Acordei com aquele brilhinho, aquelas luzes piscando no meu cérebro e que diziam somente FIESTA, FIESTA, FIESTA. Quando desço ao lobby uma faca é cravada no meu coração em vista da ausência de animação, música e pessoas pelos arredores. Ou todos já saíram ou já foram dormir, pensei. Vim a descobrir que dormiram. Depressão total, quase um Beto Carreiro World da vida, tal minha desilusão.
Voltei ao meu quarto buscando respostas sobre crises existenciais em livros e diálogos em msn. Dormi o sono dos injustiçados e não há alento para isso. Cheguei a deixar a porta do quarto somente encostada, esperando algo surpreendente que não veio jamais.
Mas hoje é domingo e em vez da tristeza e melancolia eu tenho La Marcha de Latinoamérica para ir. Não gosto de criar expectativas infundadas, mas se não for o mais caótico, estupendo e memorável evento da minha vida eu vou ficar bastante frustrado. De novo.
Após a missão cumprida pelo amigo Chiquinho, nos dirigimos a lugar nenhum procurando algum lugar que nos convidasse ao chope, ao que caminhamos meia-hora para encontrarmos um oásis no centro nublado de Madrid, uma plaza qualquer, sem nome até onde eu sei. Discutindo sobre Beatles, Led Zeppelin, literatura russa e fracassos em relacionamentos amorosos com mulheres, sorvemos uma respeitável quantidade de Urquell e às 20h decidimos voltar pra casa do Brasil para a preparação do que prometêramos ser a noite de nossas vidas.
Evidentemente após o chope, a janta e o clima fúnebre que se instalava na residência, decidi que precisava de meia-hora de sono e assim o fiz. Acordei com aquele brilhinho, aquelas luzes piscando no meu cérebro e que diziam somente FIESTA, FIESTA, FIESTA. Quando desço ao lobby uma faca é cravada no meu coração em vista da ausência de animação, música e pessoas pelos arredores. Ou todos já saíram ou já foram dormir, pensei. Vim a descobrir que dormiram. Depressão total, quase um Beto Carreiro World da vida, tal minha desilusão.
Voltei ao meu quarto buscando respostas sobre crises existenciais em livros e diálogos em msn. Dormi o sono dos injustiçados e não há alento para isso. Cheguei a deixar a porta do quarto somente encostada, esperando algo surpreendente que não veio jamais.
Mas hoje é domingo e em vez da tristeza e melancolia eu tenho La Marcha de Latinoamérica para ir. Não gosto de criar expectativas infundadas, mas se não for o mais caótico, estupendo e memorável evento da minha vida eu vou ficar bastante frustrado. De novo.
Saturday, October 11, 2008
O Pyw é meu pastor e nada me faltará
Ainda aturdido pelas discussões filosóficas da quinta-feira, a demonstração sentimental do Taborda e os gritos de rock and roll do Pyw, decidi que nesta sexta-feira eu faria algo diferente. Decidi que mudaria o destino da minha vida neste continente. Realmente a vida pode nos dar as costas em alguns momentos e é justamente nesta hora que é mais importante encher os pulmões e soltar um urro, O urro, que seja capaz de mudar o destino do universo.
Buenas, depois de cruzar Madrid de Oeste a Leste cheguei à tal Plaza de Toros. Achei que ia visitar, mas uma fila gigantesca se amontoava em frente à bela obra arquitetônica e a última coisa que eu precisava para me animar era ver uns caras vestidos de palhaços matando aos poucos um boi. Dirigi-me a um local mais calmo e abri meu volume de O Lobo da Estepe e fiquei lendo. Lá pela página 160 eu fecho o livro e digo: CHEGA! Alguns gatos pingados me olham por breves instantes e depois voltam a se entreter com suas vidas desprezíveis. Foda-se se eu cruzei o mundo por causa de uma mulher e ela nem tchum. Foda-se tudo. Virei cinzas, mas agora era a hora do meu renascimento.
Me dirigi ao mercado mais próximo com um pensamento na cabeça: UÍSQUE. Maldito supermercado que mantinha os destilados injustamente aprisionados em um armário chaveado e sem nenhum espanhol debilóide pra abrir. Acabei pegando uma garrafa de vinho. Uma não, duas. Vinhos ruins, diga-se de passagem. Retomei minha rota, desta vez de Leste a Oeste, com duas garrafas na mochila, uma lágrima no olho e muita raiva no coração. Me atrasei para a janta, de forma que comi praticamente sozinho. Mas quando preenchi minha bandeja com os doces e suculentos alimentos à disposição e a coloquei sobre a mesa, pensei: ei, tá faltando alguma coisa aqui. Voltei para o quarto, peguei a garrafa de vinho, a primeira, e me lembrei porque se compra vinho de caixinha quando não se tem abridor. Herculeamente, com a ajuda de uma tesourinha de unha/pentelho/barba e de uma caneta esferográfica consegui abrir a garrafa, não sem muito vinho esparramar pelos meus aposentos. Voltei embalsamado em vinho para o refeitório e com o sorriso largo pela conquista garrafal, portando meu troféu numa mão e um escudo contra os olhares inquisidores na outra. Lá jazia minha refeição, já fria, já sem gosto, já sem vida. Mas quem se importava? A cada garfada eu sorvia um gole do doce suco de uva fermentado e a cada segundo o mundo parecia brilhar mais e mais. Sozinho, bebendo, com pessoas jovens e joviais ao fundo eu deveria me sentir desprezível, um rato, mas tal qual Colombo em sua caravela, eu me sentia prestes a descobrir um novo mundo.
Saí do refeitório e me dirigi calmamente ao estacionamento para o consumo tabagista, ainda carregando comigo pouco menos de meia garrafa de vinho. Algo entre a primeira tragada e o terceiro gole de vinho saem duas pessoas para fumar também. Finalmente eu conseguia atrair presas para o meu ambiente de maior desenvoltura social. Ao que conversamos, tratava-se de um casal de nordestinos que viera a Madrid fazer um curso de 3 meses. Conversas sobre imigração, clima e preço dos cigarros deram o tom da conversa até que chega para unir-se a nós o ser humano mais bizarro que já saiu do ventre de uma mulher. Páris era seu nome. O cara nasceu nas Ilhas Canárias, morou no Brasil, na Espanha, na França e na Grécia ao que explico: o pai dele é embaixador brasileiro, casado com uma espanhola. O cidadão, visivelmente embriagado, começa a contar histórias taxísticas sobre a sua juventude, a vez que Paul MacCartney jantou em sua casa, a grande freqüência de visitas que Vinícius e Tom faziam ao seu lar em sua época de infância e o fato do seu padrinho ser o Chico Buarque. Bom, obviamente desse cara só poderiam vir as melhores histórias e eu e os nordestinos nos calamos a escutar por exceção de algumas intervenções que o álcool no meu sangue conduzia. Aí eu me enchi o saco e, já ébrio, disse: quero um violão. Opah! Tinha um cara na área de convivência tocando, ao que eu disse: deixa eu ver? O Cainelli vai gostar dessa. O cara arranhava 6 ou 7 acordes que o permitiam tocar Legião Urbana e Raul Seixas numa boa e no que ele "deixa eu ver" o violão eu faço alguma coisa que não me lembro agora que fez as gurias presentes dizerem um sonoro óóóóóóóóóó. Realmente a bebida é uma boa amiga da música e sem conseguir enxergar as cordas eu fiz acordes por puro instinto e malícia, fui dominado por um espírito do blues e toquei coisas que eu jamais tocara antes. A roda anteriormente restrita a 4 pessoas agora pulsava como um estádio em chamas, me levando ao suor e à emoção plena. Rasguei meu dedo, mas valeu a pena.
Finalmente, quando bebia mais vinho, fomos todos vaiados pelo segurança do local que nos enxotou para os quartos (ou era isso ou era ficar em silêncio e sem fumar, ahpáputaquepariu). Chego em minha habitação e meu computador estava ligado, OPAH. Diversas janelas do msn em cor alaranjada em minha tela. Vou descartando-as conforme vejo que seus respectivos donos não mais online estão até que chego à última. A janela da Tara. Contextualizo. No Chile eu fiz um grande amigo chamado Graham Fisher, que era um americano de Wash DC e uma pessoa da mais boa índole, fã de guns and roses, álcool e putaria. Agora que eu vim pra Madrid ele disse que vai vir aqui me visitar em julho do ano que vem, nas minhas férias, para fazermos noites violentas e mudarmos o destino do continente europeu pra pior. Essa Tara é amiga dele e professora de espanhol e se mostrou entusiasmada de vir também, ao que ele enviou fotos minhas pra ela, ela me adicionou no msn e no facebook e estamos nos falando há uns 4 dias. Bom, TECLO com ela por cerca de meia hora, errando absolutamente todas as palavras em um esforço inútil de escrever corretamente quando bêbado e falo umas bobagens pra ela ao que ela declara que está interessada em mim e que gostaria de vir antes pra Espanha pra poder acabar com sua frustração sexual....
Sem nada mais a dizer......
Não é uma grande história, mas é um belo começo para jornadas européias de uma vida que ainda tem muito rock and roll pela frente.
Fui dormir com um sorriso no rosto e a agridoce sensação de ter que admitir que o Pyw sempre tem razão.
Buenas, depois de cruzar Madrid de Oeste a Leste cheguei à tal Plaza de Toros. Achei que ia visitar, mas uma fila gigantesca se amontoava em frente à bela obra arquitetônica e a última coisa que eu precisava para me animar era ver uns caras vestidos de palhaços matando aos poucos um boi. Dirigi-me a um local mais calmo e abri meu volume de O Lobo da Estepe e fiquei lendo. Lá pela página 160 eu fecho o livro e digo: CHEGA! Alguns gatos pingados me olham por breves instantes e depois voltam a se entreter com suas vidas desprezíveis. Foda-se se eu cruzei o mundo por causa de uma mulher e ela nem tchum. Foda-se tudo. Virei cinzas, mas agora era a hora do meu renascimento.
Me dirigi ao mercado mais próximo com um pensamento na cabeça: UÍSQUE. Maldito supermercado que mantinha os destilados injustamente aprisionados em um armário chaveado e sem nenhum espanhol debilóide pra abrir. Acabei pegando uma garrafa de vinho. Uma não, duas. Vinhos ruins, diga-se de passagem. Retomei minha rota, desta vez de Leste a Oeste, com duas garrafas na mochila, uma lágrima no olho e muita raiva no coração. Me atrasei para a janta, de forma que comi praticamente sozinho. Mas quando preenchi minha bandeja com os doces e suculentos alimentos à disposição e a coloquei sobre a mesa, pensei: ei, tá faltando alguma coisa aqui. Voltei para o quarto, peguei a garrafa de vinho, a primeira, e me lembrei porque se compra vinho de caixinha quando não se tem abridor. Herculeamente, com a ajuda de uma tesourinha de unha/pentelho/barba e de uma caneta esferográfica consegui abrir a garrafa, não sem muito vinho esparramar pelos meus aposentos. Voltei embalsamado em vinho para o refeitório e com o sorriso largo pela conquista garrafal, portando meu troféu numa mão e um escudo contra os olhares inquisidores na outra. Lá jazia minha refeição, já fria, já sem gosto, já sem vida. Mas quem se importava? A cada garfada eu sorvia um gole do doce suco de uva fermentado e a cada segundo o mundo parecia brilhar mais e mais. Sozinho, bebendo, com pessoas jovens e joviais ao fundo eu deveria me sentir desprezível, um rato, mas tal qual Colombo em sua caravela, eu me sentia prestes a descobrir um novo mundo.
Saí do refeitório e me dirigi calmamente ao estacionamento para o consumo tabagista, ainda carregando comigo pouco menos de meia garrafa de vinho. Algo entre a primeira tragada e o terceiro gole de vinho saem duas pessoas para fumar também. Finalmente eu conseguia atrair presas para o meu ambiente de maior desenvoltura social. Ao que conversamos, tratava-se de um casal de nordestinos que viera a Madrid fazer um curso de 3 meses. Conversas sobre imigração, clima e preço dos cigarros deram o tom da conversa até que chega para unir-se a nós o ser humano mais bizarro que já saiu do ventre de uma mulher. Páris era seu nome. O cara nasceu nas Ilhas Canárias, morou no Brasil, na Espanha, na França e na Grécia ao que explico: o pai dele é embaixador brasileiro, casado com uma espanhola. O cidadão, visivelmente embriagado, começa a contar histórias taxísticas sobre a sua juventude, a vez que Paul MacCartney jantou em sua casa, a grande freqüência de visitas que Vinícius e Tom faziam ao seu lar em sua época de infância e o fato do seu padrinho ser o Chico Buarque. Bom, obviamente desse cara só poderiam vir as melhores histórias e eu e os nordestinos nos calamos a escutar por exceção de algumas intervenções que o álcool no meu sangue conduzia. Aí eu me enchi o saco e, já ébrio, disse: quero um violão. Opah! Tinha um cara na área de convivência tocando, ao que eu disse: deixa eu ver? O Cainelli vai gostar dessa. O cara arranhava 6 ou 7 acordes que o permitiam tocar Legião Urbana e Raul Seixas numa boa e no que ele "deixa eu ver" o violão eu faço alguma coisa que não me lembro agora que fez as gurias presentes dizerem um sonoro óóóóóóóóóó. Realmente a bebida é uma boa amiga da música e sem conseguir enxergar as cordas eu fiz acordes por puro instinto e malícia, fui dominado por um espírito do blues e toquei coisas que eu jamais tocara antes. A roda anteriormente restrita a 4 pessoas agora pulsava como um estádio em chamas, me levando ao suor e à emoção plena. Rasguei meu dedo, mas valeu a pena.
Finalmente, quando bebia mais vinho, fomos todos vaiados pelo segurança do local que nos enxotou para os quartos (ou era isso ou era ficar em silêncio e sem fumar, ahpáputaquepariu). Chego em minha habitação e meu computador estava ligado, OPAH. Diversas janelas do msn em cor alaranjada em minha tela. Vou descartando-as conforme vejo que seus respectivos donos não mais online estão até que chego à última. A janela da Tara. Contextualizo. No Chile eu fiz um grande amigo chamado Graham Fisher, que era um americano de Wash DC e uma pessoa da mais boa índole, fã de guns and roses, álcool e putaria. Agora que eu vim pra Madrid ele disse que vai vir aqui me visitar em julho do ano que vem, nas minhas férias, para fazermos noites violentas e mudarmos o destino do continente europeu pra pior. Essa Tara é amiga dele e professora de espanhol e se mostrou entusiasmada de vir também, ao que ele enviou fotos minhas pra ela, ela me adicionou no msn e no facebook e estamos nos falando há uns 4 dias. Bom, TECLO com ela por cerca de meia hora, errando absolutamente todas as palavras em um esforço inútil de escrever corretamente quando bêbado e falo umas bobagens pra ela ao que ela declara que está interessada em mim e que gostaria de vir antes pra Espanha pra poder acabar com sua frustração sexual....
Sem nada mais a dizer......
Não é uma grande história, mas é um belo começo para jornadas européias de uma vida que ainda tem muito rock and roll pela frente.
Fui dormir com um sorriso no rosto e a agridoce sensação de ter que admitir que o Pyw sempre tem razão.
Friday, October 10, 2008
Desamar
Inspirado por um belo poema que minha admirável irmã me enviou por e-mail....
Mudam as estações
assim como o dia vira noite
e o calor de uma paixão
o conforto de um amor
vira inverno
E tudo fica frio e se esvai
Desaparece sob a neve
e nenhum abrigo é a nossa casa
nada nos pertence
O que um dia construi
um plano, uma idéia
agora só destrói
e se vai ao ralo
com a chuva que nunca pára de cair
O que um dia foi sol
que foi cálido
Hoje é lua
linda
e fria
E como voltar a florescer?
quando a estação não muda jamais
fica sempre, para sempre
um resto de inverno dentro de nós
Como semear
quando há toda uma vida
todo um amor
para se esquecer?
E tudo que se descobre
é que o esquecimento
não há
é sempre uma lembrança
quando não mais
Mudam as estações
assim como o dia vira noite
e o calor de uma paixão
o conforto de um amor
vira inverno
E tudo fica frio e se esvai
Desaparece sob a neve
e nenhum abrigo é a nossa casa
nada nos pertence
O que um dia construi
um plano, uma idéia
agora só destrói
e se vai ao ralo
com a chuva que nunca pára de cair
O que um dia foi sol
que foi cálido
Hoje é lua
linda
e fria
E como voltar a florescer?
quando a estação não muda jamais
fica sempre, para sempre
um resto de inverno dentro de nós
Como semear
quando há toda uma vida
todo um amor
para se esquecer?
E tudo que se descobre
é que o esquecimento
não há
é sempre uma lembrança
quando não mais
Thursday, October 9, 2008
Museo del Prado
Mesmo contra todos meus princípios eu fui. Não tinha absolutamente nada para fazer e o tédio corroía minhas unhas usando meus dentes como instrumento.
"A única vez que errei foi quando pensei estar errado" é uma citação televisiva com bastante aplicação neste caso. Vejamos por que.
Cheguei no museu às 17:30. A partir das 18h era de graça, então abri meu livro, sentei encostado numa parede do "ó, grandioso museu" e fiquei lendo sobre as vicissitudes de Harry Haller. Às 18 fui recolher meu ingresso grátis para a alegria. Teria apenas duas horas para visitar o segundo maior acervo artístico do mundo. Fiquei 1h e 10min e era isso. Vi tudo, ou quase tudo. Não sei, é tudo igual. Acho até meio criminoso cobrar por aquilo. E não acho que esteja sozinho nessa, a grande maioria das pessoas ali presentes parecia prestar até menos atenção que eu às obras.
Nada, absolutamente NADA ali me agregou alguma coisa à vida. Claro que eu não é assim que eu vou contar a história pras futuras gerações. Vou dizer que estive no MAGNÂNIMO MUSEO DEL PRADO e que cada centímetro de lá me encheu de cultura e conhecimento.
Fala sério, prefiro o Margs. Pelo menos é pequeno.
"A única vez que errei foi quando pensei estar errado" é uma citação televisiva com bastante aplicação neste caso. Vejamos por que.
Cheguei no museu às 17:30. A partir das 18h era de graça, então abri meu livro, sentei encostado numa parede do "ó, grandioso museu" e fiquei lendo sobre as vicissitudes de Harry Haller. Às 18 fui recolher meu ingresso grátis para a alegria. Teria apenas duas horas para visitar o segundo maior acervo artístico do mundo. Fiquei 1h e 10min e era isso. Vi tudo, ou quase tudo. Não sei, é tudo igual. Acho até meio criminoso cobrar por aquilo. E não acho que esteja sozinho nessa, a grande maioria das pessoas ali presentes parecia prestar até menos atenção que eu às obras.
Nada, absolutamente NADA ali me agregou alguma coisa à vida. Claro que eu não é assim que eu vou contar a história pras futuras gerações. Vou dizer que estive no MAGNÂNIMO MUSEO DEL PRADO e que cada centímetro de lá me encheu de cultura e conhecimento.
Fala sério, prefiro o Margs. Pelo menos é pequeno.
Chuveiros
O mistério da imundície européia começa a se revelar. Eu também me sinto deveras tentando a não me banhar com as estruturas banhísticas que são disponíveis neste país.
Mas nada comparado ao meu quarto. Não, tinha que ser comigo. NÃO TEM CHUVEIRO. Sério, não tem. Tem um chuveirinho que tem que ficar segurando no MENOR BOX do mundo e que, não importa o que você faça, irá ensopar todo o chão do banheiro.
Pelo menos a água é quente e estou aprendendo um novo ofício: o de malabarista.
Nunca pensei que manusear shampoo e sabonete com uma só mão disponível fosse tarefa tão árdua. Sério, manetas são HERÓIS.
Mas nada comparado ao meu quarto. Não, tinha que ser comigo. NÃO TEM CHUVEIRO. Sério, não tem. Tem um chuveirinho que tem que ficar segurando no MENOR BOX do mundo e que, não importa o que você faça, irá ensopar todo o chão do banheiro.
Pelo menos a água é quente e estou aprendendo um novo ofício: o de malabarista.
Nunca pensei que manusear shampoo e sabonete com uma só mão disponível fosse tarefa tão árdua. Sério, manetas são HERÓIS.
Wednesday, October 8, 2008
What is Life?
What is Life? O que é vida? Qué es la vida?
Não pretendo exercer nenhum desenvolvimento teórico da ordem da obra de mesmo título deste post elaborada pelo Sr. Erwin Schrödinger, a qual deu origem às pesquisas que culminaram pelo estabelecimento até hoje utilizado da estrutura do DNA. Não, minha idéia é simplesmente descrever em situações como eu vejo a vida, em fatos generalistas que construíram minha pessoa e devem estar relacionados com as perspectivas de muitas outras pessoas. Trabalharei com uma estrutura mais próxima do verso que da prosa, propiciando assim uma espécie de apresentação em tópicas, de forma que:
O que é a vida?
A vida é nascer
aprender
criar expectativas
se decepcionar
se livrar das expectativas
ser surpreendido
criar novas expectativas
se esborrachar em uma parede de cimento figurativa com as novas expectativas
se livrar delas de novo
em um ciclo sem fim
A vida é, a princípio, ser amado
aprender a amar
amar
ser miseravelmente esmagado pela dor de um amor perdido
decidir viver sem o amor
encontrá-lo novamente em algum lugar
e perdê-lo novamente
ser amado e não amar de volta
partir corações e ter o seu partido
é amar de forma controlada
e de forma louca
é perder todo o senso de qualquer coisa por uma pessoa
é atravessar o mundo para ouvi um "eu também te amo"
e ter apenas o silêncio como resposta
esquecer o que o amor significa
e em qualquer esquina encontrar um novo significado
amar é ter esperança
é perder a esperança
amar é viver
Viver é esperar muito de onde nada vem
e virar as costas para o lugar de onde tudo vem
ser surpreendido a cada instante
é fazer planos
e vê-los serem arrasadoramente destruídos
e surgirem novas situações
inesperadas
que mudam tudo
A vida é mudança
nós somos estáticos (ou quase isso)
A vida é um emaranhado de complicações e coisas sem explicação
A vida é um dia, um instante
o resto é uma viagem pelo tempo
A vida é esperar que o tempo resolva tudo
esperar
esperar
esperar
e aí se dar conta de que são atitudes que mudam as coisas
é não saber como agir para mudar tudo
é não ter forças
é tentar
é não entender
é se sentir desprezado um instante após se sentir dono do universo
é chegar
é sair
é voltar
É não saber quando acaba
é não saber acabar
é não saber esquecer
e, de repente, acabar, esquecer e fim.
Não pretendo exercer nenhum desenvolvimento teórico da ordem da obra de mesmo título deste post elaborada pelo Sr. Erwin Schrödinger, a qual deu origem às pesquisas que culminaram pelo estabelecimento até hoje utilizado da estrutura do DNA. Não, minha idéia é simplesmente descrever em situações como eu vejo a vida, em fatos generalistas que construíram minha pessoa e devem estar relacionados com as perspectivas de muitas outras pessoas. Trabalharei com uma estrutura mais próxima do verso que da prosa, propiciando assim uma espécie de apresentação em tópicas, de forma que:
O que é a vida?
A vida é nascer
aprender
criar expectativas
se decepcionar
se livrar das expectativas
ser surpreendido
criar novas expectativas
se esborrachar em uma parede de cimento figurativa com as novas expectativas
se livrar delas de novo
em um ciclo sem fim
A vida é, a princípio, ser amado
aprender a amar
amar
ser miseravelmente esmagado pela dor de um amor perdido
decidir viver sem o amor
encontrá-lo novamente em algum lugar
e perdê-lo novamente
ser amado e não amar de volta
partir corações e ter o seu partido
é amar de forma controlada
e de forma louca
é perder todo o senso de qualquer coisa por uma pessoa
é atravessar o mundo para ouvi um "eu também te amo"
e ter apenas o silêncio como resposta
esquecer o que o amor significa
e em qualquer esquina encontrar um novo significado
amar é ter esperança
é perder a esperança
amar é viver
Viver é esperar muito de onde nada vem
e virar as costas para o lugar de onde tudo vem
ser surpreendido a cada instante
é fazer planos
e vê-los serem arrasadoramente destruídos
e surgirem novas situações
inesperadas
que mudam tudo
A vida é mudança
nós somos estáticos (ou quase isso)
A vida é um emaranhado de complicações e coisas sem explicação
A vida é um dia, um instante
o resto é uma viagem pelo tempo
A vida é esperar que o tempo resolva tudo
esperar
esperar
esperar
e aí se dar conta de que são atitudes que mudam as coisas
é não saber como agir para mudar tudo
é não ter forças
é tentar
é não entender
é se sentir desprezado um instante após se sentir dono do universo
é chegar
é sair
é voltar
É não saber quando acaba
é não saber acabar
é não saber esquecer
e, de repente, acabar, esquecer e fim.
Tuesday, October 7, 2008
Cigarros na Espanha
Coisa mais difícil nesse país é encontrar um lugar onde se vendam cigarros. Mas eles estão em toda parte. Como?
Máquinas, estas antas vendem cigarros em máquinas. Aliás, tudo aqui se vende em máquinas. Isso é pior que internet para o desenvolvimento de relações interpessoais. No Chile a primeira pessoa que eu manti uma conversa com algum nível de profundidade era a mulher do posto que me vendia cigarros. Aqui não.
Ah, fodam-se estes espanhóis, o que sabem eles da vida?
Máquinas, estas antas vendem cigarros em máquinas. Aliás, tudo aqui se vende em máquinas. Isso é pior que internet para o desenvolvimento de relações interpessoais. No Chile a primeira pessoa que eu manti uma conversa com algum nível de profundidade era a mulher do posto que me vendia cigarros. Aqui não.
Ah, fodam-se estes espanhóis, o que sabem eles da vida?
Morri
Hora Mortis no fuso espanhol: 21:00. No Brasil, 16:00.
Daqui pra frente cada molécula energética deste corpo estragado e desgastado vai se empenhar num único objetivo que é a completa e total recuperação da minha sanidade mental.
Claro que isso não veio assim do nada. Veio de uma árdua e difícil tarefa que tive que empreender esta tarde: carregar uma mala de 30kg do centro de Madrid até a Cidade Universitária. Pra quem conhece a capital espanhol, tem noção que este trajeto representa algo como 10km, dos quais percorri cerca de 2,5km a pé. Na chuva. No frio. O resto foi de metrô, levando em conta que ainda tive que trocar de estação uma vez.
Tá, mas e aí? Aí que quando já não sentia mais meu braço direito e a minha mão começava a criar as primeiras bolhas pensei em diversas coisas. Primeiro pensei o quão idiota eu sou de trazer uma mala tão nababesca. Ela nem chegaa ser tão grande, mas para quê, diabos, trazer livros????? Buenas, direcionando minhas análises para coisas mais críticas eu tracei um paralelo entre minha jornada e a própria vida (o bom das metáforas é que elas permitem analogias entre quaisquer coisas aleatórias), de forma que: A vida é o trajeto entre um ponto e outro com uma mala pesada e difícil de carregar nas mãos. Um sem número de sofrimentos em busca de um objetivo final, com alguns pontos de calmaria, tal qual o uso de um metrô ou de uma escada rolante. E, quando se chega ao objetivo final, nada estará completo se você não puder subir 4 lances de escada até o andar em que fica seu quarto.
Então, todas as vitórias pelo caminho que aliviam as dores do calvário são valiosas, mas pouco se comparam ao atingimento do objetivo final, da entrada na sua porta, do fim do carregar a mala.
A minha única dúvida é se na vida nós somos os carregadores ou a própria mala. Acho que depende de como cada um enfrenta o desafio de existir.
Bom, renasci. Das cinzas. Da dor eu criei minha armadura e vou tropeçar, principalmente neste início, mas em breve aprendo a andar de novo. Chega de ser flagelado por expectativas de coisas que não aconteceram. Chega de ser manipulado. Me chamem como quiserem a partir de agora. Bruno está morto. Bira está morto.
Daqui pra frente cada molécula energética deste corpo estragado e desgastado vai se empenhar num único objetivo que é a completa e total recuperação da minha sanidade mental.
Claro que isso não veio assim do nada. Veio de uma árdua e difícil tarefa que tive que empreender esta tarde: carregar uma mala de 30kg do centro de Madrid até a Cidade Universitária. Pra quem conhece a capital espanhol, tem noção que este trajeto representa algo como 10km, dos quais percorri cerca de 2,5km a pé. Na chuva. No frio. O resto foi de metrô, levando em conta que ainda tive que trocar de estação uma vez.
Tá, mas e aí? Aí que quando já não sentia mais meu braço direito e a minha mão começava a criar as primeiras bolhas pensei em diversas coisas. Primeiro pensei o quão idiota eu sou de trazer uma mala tão nababesca. Ela nem chegaa ser tão grande, mas para quê, diabos, trazer livros????? Buenas, direcionando minhas análises para coisas mais críticas eu tracei um paralelo entre minha jornada e a própria vida (o bom das metáforas é que elas permitem analogias entre quaisquer coisas aleatórias), de forma que: A vida é o trajeto entre um ponto e outro com uma mala pesada e difícil de carregar nas mãos. Um sem número de sofrimentos em busca de um objetivo final, com alguns pontos de calmaria, tal qual o uso de um metrô ou de uma escada rolante. E, quando se chega ao objetivo final, nada estará completo se você não puder subir 4 lances de escada até o andar em que fica seu quarto.
Então, todas as vitórias pelo caminho que aliviam as dores do calvário são valiosas, mas pouco se comparam ao atingimento do objetivo final, da entrada na sua porta, do fim do carregar a mala.
A minha única dúvida é se na vida nós somos os carregadores ou a própria mala. Acho que depende de como cada um enfrenta o desafio de existir.
Bom, renasci. Das cinzas. Da dor eu criei minha armadura e vou tropeçar, principalmente neste início, mas em breve aprendo a andar de novo. Chega de ser flagelado por expectativas de coisas que não aconteceram. Chega de ser manipulado. Me chamem como quiserem a partir de agora. Bruno está morto. Bira está morto.
Monday, October 6, 2008
Números
Comprei a porra do celular e não sei o número. Vou ter que interagir pra descobrir. Odeio interagir.
Um lugar para chamar de casa
Muitas coisas aconteceram neste final de semana. Uma enorme parte de mim se suicidou acidentalmente e o resto que sobrou está tentando construir qualquer coisa a partir dos destroços que sobraram. Sábado pela noite eu decidi voltar pro Brasil. Com certeza trocaria minha passagem e aterrisaria em Porto Alegre o mais rápido possível. Por quê? Motivos da maior importância, isso é certo.
Mas as horas passam e os pensamentos mudam. Eu não descarto um retorno antecipado à minha terra natal, mas não devo incorrer em precipitações. Eu já esperava que o início desta minha jornada seria repleto de mágoas, angústias, dor e sofrimento. Do presente, mas também do passado.
Mas buenas, resolvi me dar uma chance aqui. Afinal, meu objetivo em terras estrangeiras nunca foi apenas um. Assim, hoje, busquei uma moradia senão fixa ao menos por um período de tempo que me permitisse viver sem ter que verificar se meu quarto ainda estaria disponível para a noite subsequente, correndo o risco de ser expulso das dependências, o que já me ocorreu recentemente.
Meti-me na Casa do Brasil, entonces, dentro do Campus da Universidad Complutense. É bacana, só ficam estudantes, têm alguns brasileiros e é cara pra caramba. Mas só à primeira instância. O valor cobre tudo, inclusive 3 refeições diárias (lembrando que não se come nada em Madrid por menos de 10 euros), limpeza do quarto e lavagem de roupas. Assim, ao menos até o final deste mês eu tenho um pouco de tranquilidade durante meu sono e ainda corro o risco de conhecer pessoas. Enquanto isso vou vendo coisas mais vantajosas sem a pressão de ter que usar as encostas do Museu do Prado como travesseiro.
Que mais? Ah, sim, comprei um celular desses de cartão. Fico esperando que alguém erre uma chamada e entre em contato comigo. Mas não sei se tenho tanta sorte. Contínuo, enfim, caminhando. Quando tudo está um desastre o consolo é que dificilmente irá piorar.
Nenhum alento. Não tenho esperanças ou expectativas. Tenho somente a mim mesmo.
Mas as horas passam e os pensamentos mudam. Eu não descarto um retorno antecipado à minha terra natal, mas não devo incorrer em precipitações. Eu já esperava que o início desta minha jornada seria repleto de mágoas, angústias, dor e sofrimento. Do presente, mas também do passado.
Mas buenas, resolvi me dar uma chance aqui. Afinal, meu objetivo em terras estrangeiras nunca foi apenas um. Assim, hoje, busquei uma moradia senão fixa ao menos por um período de tempo que me permitisse viver sem ter que verificar se meu quarto ainda estaria disponível para a noite subsequente, correndo o risco de ser expulso das dependências, o que já me ocorreu recentemente.
Meti-me na Casa do Brasil, entonces, dentro do Campus da Universidad Complutense. É bacana, só ficam estudantes, têm alguns brasileiros e é cara pra caramba. Mas só à primeira instância. O valor cobre tudo, inclusive 3 refeições diárias (lembrando que não se come nada em Madrid por menos de 10 euros), limpeza do quarto e lavagem de roupas. Assim, ao menos até o final deste mês eu tenho um pouco de tranquilidade durante meu sono e ainda corro o risco de conhecer pessoas. Enquanto isso vou vendo coisas mais vantajosas sem a pressão de ter que usar as encostas do Museu do Prado como travesseiro.
Que mais? Ah, sim, comprei um celular desses de cartão. Fico esperando que alguém erre uma chamada e entre em contato comigo. Mas não sei se tenho tanta sorte. Contínuo, enfim, caminhando. Quando tudo está um desastre o consolo é que dificilmente irá piorar.
Nenhum alento. Não tenho esperanças ou expectativas. Tenho somente a mim mesmo.
Friday, October 3, 2008
Algo mais
Sabes aquele "algo mais" que desejas ou espera para a tua vida? Não há, há algo menos, o resto é mentira. Aliás, é tudo mentira, a vida é uma grotesca e infame mentira.
O que está aí está aí. Melhor não fica. Pior? Sempre.
Se você não pensa, claro isso não vale. E parabéns, a racionalidade destrói tudo e faz de cada dia um fardo. Daí meu problema em dormir à noite, a possibilidade que o dia próximo seja ainda pior que o anterior é muito grande e aterradora.
Se vive, então, sem haver um "pra quê" então pergunto, por quê? Nada...é a resposta mais próxima da realidade que encontrei.
O que está aí está aí. Melhor não fica. Pior? Sempre.
Se você não pensa, claro isso não vale. E parabéns, a racionalidade destrói tudo e faz de cada dia um fardo. Daí meu problema em dormir à noite, a possibilidade que o dia próximo seja ainda pior que o anterior é muito grande e aterradora.
Se vive, então, sem haver um "pra quê" então pergunto, por quê? Nada...é a resposta mais próxima da realidade que encontrei.
Viajero
Primeiro, notícia fresca, resolvi batizar minha mochila de Ângela. Eu não sei porque,me parece adequado.
Buenas, escrevo já de Madrid, deixei Barcelona e sua imundície lasciva levando Ângela comigo, tomando um AVT (trem de alta velocidade) com rumo a Madrid (evidente). Mas claro que nada se deu de forma tão simples. Primeiro tentei contatar os paulistas que conheci no Santiago Bernabéu e que me mandaram um e-mail dizendo que estavam em Barcelona e me deram telefone e tal. Liguei então, mesmo sabendo o quão chato é acompanhar um casal em férias, mas o cara gostava mesmo de futebol apesar de torcer pela Portuguesa, o que me motivava a ter conversas mais interessantes que aquela com os piá da Suíça que achavam o Senderos o tal. Aí os caras me deram o bolo, claramente se arrependendo de terem me convidado pra qualquer coisa. Não os culpo, minha companhia é mesmo um porre (solitário por interesse ou total falta de opção?).
Aí fui na estação de trem, entrei na fila e depois de 1 FUCKING HOUR eu chego no caixa (SONAMABITCHES WERE ON A BLOODY STRIKE) e descubro que eles não aceitam la tarjeta de crédito, solamente efectivo. EFECTIVO MY ASS. Voltei pro albergue com uma quantidade de ódio bastante respeitável e comprei pelo computador. Fiz todos os esquemas e quando terminei de pagar a porra me aparece dizendo que eu tinha comprado um trem que saía de Madrid com destino a Barcelona. CONCHA TU MADRE. Mas tava tudo certo, só mais um erro de programadores imbecis, ao que descobri quando tirei el billete en la estació (em catalão é assim).
Aquela porra anda rápido mesmo, mantendo uma média de 280km/h e uma estabilidade incrível, além da falta de ruídos, mas isso é assunto prum artigo que eu vou mandar pra 4 Rodas criticando automóveis em geral.
Agora eu to aqui e tenho que encontrar uma porra de um lugar para morar, agilizar minha situação de documentação e começar a viver, né, que é bom.
Ah, "dinheiro nos permite sermos nós mesmos" é um quote dum filme que tava passando no trem e eu não tenho como negar que nada pode parecer mais verdade.
Aliás, o que é a verdade? Eu e Ângela nos empenharemos em descobrir AL TIRO.
Buenas, escrevo já de Madrid, deixei Barcelona e sua imundície lasciva levando Ângela comigo, tomando um AVT (trem de alta velocidade) com rumo a Madrid (evidente). Mas claro que nada se deu de forma tão simples. Primeiro tentei contatar os paulistas que conheci no Santiago Bernabéu e que me mandaram um e-mail dizendo que estavam em Barcelona e me deram telefone e tal. Liguei então, mesmo sabendo o quão chato é acompanhar um casal em férias, mas o cara gostava mesmo de futebol apesar de torcer pela Portuguesa, o que me motivava a ter conversas mais interessantes que aquela com os piá da Suíça que achavam o Senderos o tal. Aí os caras me deram o bolo, claramente se arrependendo de terem me convidado pra qualquer coisa. Não os culpo, minha companhia é mesmo um porre (solitário por interesse ou total falta de opção?).
Aí fui na estação de trem, entrei na fila e depois de 1 FUCKING HOUR eu chego no caixa (SONAMABITCHES WERE ON A BLOODY STRIKE) e descubro que eles não aceitam la tarjeta de crédito, solamente efectivo. EFECTIVO MY ASS. Voltei pro albergue com uma quantidade de ódio bastante respeitável e comprei pelo computador. Fiz todos os esquemas e quando terminei de pagar a porra me aparece dizendo que eu tinha comprado um trem que saía de Madrid com destino a Barcelona. CONCHA TU MADRE. Mas tava tudo certo, só mais um erro de programadores imbecis, ao que descobri quando tirei el billete en la estació (em catalão é assim).
Aquela porra anda rápido mesmo, mantendo uma média de 280km/h e uma estabilidade incrível, além da falta de ruídos, mas isso é assunto prum artigo que eu vou mandar pra 4 Rodas criticando automóveis em geral.
Agora eu to aqui e tenho que encontrar uma porra de um lugar para morar, agilizar minha situação de documentação e começar a viver, né, que é bom.
Ah, "dinheiro nos permite sermos nós mesmos" é um quote dum filme que tava passando no trem e eu não tenho como negar que nada pode parecer mais verdade.
Aliás, o que é a verdade? Eu e Ângela nos empenharemos em descobrir AL TIRO.
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